Problemas com a memória em idosos
Dr. Norton Sayeg é médico especialista em Geriatria e Gerontologia desde 1984 pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia da Associação Médica Brasileira – AMB.
Uma das queixas mais comuns em idosos é a perda da memória. É tão freqüente que, infelizmente, ainda existe a crença de que se trata de um evento normal e inexorável do processo de envelhecimento. Isso não é verdade. Ele é comum, não normal. Melhor: trata-se de um problema, por vezes, passível de tratamento e cura.
Acontece que, até pouco tempo, a medicina não estava instrumentalizada para o manejo adequado dessa questão; diante de uma queixa de comprometimento intelectual, nada era feito. Pior: indicavam-se certos produtos sem nenhuma sustentação científica, que, evidentemente, não apresentavam resultados, privando o paciente de uma avaliação geriátrica correta e do tratamento efetivo.
Não existem drogas que "melhorem a memória". Geralmente, a perda de memória é devida a algum fator que, se corrigido, devolve ao indivíduo a função que estava prejudicada.
O grande vilão é o uso de calmantes e remédios para dormir, os hipnóticos. Os brasileiros são grandes consumidores de tranqüilizantes e é extremamente comum que o uso indiscriminado dessas drogas (tendo em vista que, à medida que envelhecemos, temos maior dificuldade para eliminá-las) intoxique o usuário, levando-o a quadros graves de rebaixamento intelectual, agitação, delírio e confusão mental. A simples retirada do medicamento, muitas vezes, resolve o problema.
Outra causa é a depressão, que em idosos caracteriza-se por dificuldades para dormir, mudança no padrão de apetite e perda de memória. Assim, se em vez de tratar a depressão o paciente recebe um medicamento para dormir, estaremos apenas cuidando de um sintoma e a memória será ainda mais prejudicada. O tratamento de estados depressivos é eficaz e seguro, fazendo com que a memória seja restabelecida e o sono, regularizado, sem a necessidade do uso de medicamentos.
Outras causas são silenciosas; não têm sintomas exuberantes e, por isso, são difíceis de serem diagnosticadas. Entre elas estão; a diminuição do desempenho da glândula tireóide (hipotireoidismo), o uso de certos medicamentos para pressão alta, gastrite etc., problemas sensoriais como a visão e especialmente de audição, a falta de estímulo sócio-intelectual, deficiência de certos nutrientes e abuso de álcool etc.
Percebe-se claramente que essa questão está longe de ser um problema insolúvel. A informação é fundamental para que, ao primeiro sinal de comprometimento da memória, se faça uma investigação clínica completa, para identificação da causa e instituição imediata do tratamento.
O que é perda normal de memória?
Todos nós em algum momento nos esquecemos de várias coisas. Esquecemos onde colocamos os óculos, as chaves do carro, a caneta e até de eventos importantes, como data de aniversário de parentes, de casamento etc.
Esses esquecimentos fazem parte do dia-a-dia e são naturalmente aceitos quando ocorrem com adultos jovens. Esses lapsos de memória não são valorizados e já estão incorporados na maneira de ser das pessoas, não trazendo maiores preocupações.
Quando esses fatos acontecem com pessoas de mais idade eles são mal interpretados e algumas vezes invariavelmente “rotulados” como início de algum problema mais sério. A pior de todas as rotulações é feita a partir das temíveis frases como: “Vovó está ficando esclerosada” ou ainda pior: “é o começo da ‘esclerose’ e isso é normal para a idade dela”.
Especialistas em envelhecimento há muito já estudaram os problemas com a memória que ocorrem com indivíduos idosos e determinados conceitos são atualmente bem conhecidos e comprovados cientificamente.
É verdade que com o envelhecimento o nosso organismo, como um todo, apresenta uma diminuição gradativa de várias funções existindo uma maior dificuldade de se reter na memória algumas informações. A esse estado os cientistas denominaram “Prejuízo da Memória Associado à Idade – (PMAI)”, definindo assim que, apesar de haver um declínio nesse campo, essa não é uma alteração que se deva relacionar obrigatoriamente como uma doença.
O PMAI não interfere nas atividades da vida diária e tampouco representa deficiência mental. O PMAI é passível de ser contornado eficazmente por meio de tratamento da memória, com exercícios que estimulam a atenção, com a elaboração de listas de afazeres, com jogos de memória, com associações de fatos, objetos, nome, fotos etc.
Os problemas com a memória podem estar associados a inúmeras causas, sendo as mais comuns: o cansaço, a solidão, a tristeza, a depressão, o estresse, o uso abusivo de álcool, o uso indevido de medicações calmantes e hipnóticos, certas doenças, falta de concentração, problemas de ordem nutricional etc. Também tem grande importância na queda do desempenho da memória as dificuldades com a visão e audição, alterações extremamente comuns na faixa etária avançada.
Muitas vezes uma dieta personalizada e bem balanceada, suspensão de certos medicamentos, uso de óculos, aparelhos auditivos, remoção de cerume dos ouvidos e outras correções desses fatores desencadeantes, melhoram substancialmente e até resolvem os transtornos da memória.
Quando a perda de memória é doença?
Como então podemos diferenciar se os problemas de memória em pessoas idosas são um sinal de doença?
Ao contrário do PMAI, que não apresenta piora gradativa, os problemas sérios com a memória pioram progressivamente, chegando a interferir com as atividades do dia-a-dia.
Quando os esquecimentos deixam de ser habituais e facilmente compensáveis com artifícios como anotar os recados, fazer listas de compromisso etc., e passam a dificultar as atividades do cotidiano, necessitando de ajuda de terceiros, aí sim, transformam-se em uma real preocupação médica.
Mesmo em idades avançadas um comprometimento da memória a esse nível não é normal, merecendo uma avaliação clínica completa para pronta detecção da causa.
É, portanto, imperioso que, ao primeiro sinal de que a memória está diminuída, se consulte um profissional para que o limite entre o normal e a doença possa ser estabelecido com segurança.
O que pode ser feito para melhorar a memória
Saiba que sempre podemos melhorar o desempenho da nossa memória.
Não aceite passivamente o declínio observado.
Mantenha-se ativo: novos amigos, cursos, leitura, visitas etc.
Leia pelo menos as manchetes de um jornal diariamente.
Faça palavras cruzadas dando preferência às de fácil execução.
Reserve um período do dia para trabalhar a memória
Reserve um local da casa com boa iluminação e silencioso para o seu treino.
Assegure-se que só será interrompido se absolutamente necessário.
Mantenha uma dieta saudável, beba muito líquido e ande pelo menos 30 minutos por dia.
Evite tensões desnecessárias.
Quando não entender direito o que foi dito, pergunte!
Anote tudo que for importante em um caderno ou uma agenda.
Participe de jogos que envolvam o raciocínio.
Seja uma pessoa flexível, esteja aberto para ouvir. As pessoas que não são flexíveis acabam sendo excluídas do seu meio social.
Quando lhe fizerem uma pergunta e não puder lembrar-se da resposta imediatamente, não se sinta constrangido, use recursos para ganhar tempo extra para responder: sorria, ajeite os óculos, repita a pergunta, respire fundo, limpe a garganta, etc.
sábado, 1 de janeiro de 2011
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Para um final de ano saudável
24 de dezembro de 2010 Estamos às vésperas das festas de fim de ano, e isso, muitas vezes, significa o exagero no consumo de alimentos calóricos e bebidas alcoólicas. Mas você pode aproveitar as festas e saborear a ceia sem extravagâncias, pois é possível participar de uma mesa composta por alimentos nutritivos e saudáveis.
Seguem algumas dicas:
- Planeje o cardápio com antecedência, com preparações leves e saudáveis;
- Monte uma lista de compras para não adquirir produtos desnecessários no mercado;
- Prefira preparações cozidas ou assadas, com alimentos menos gordurosos e mais nutritivos;
- Elabore saladas variadas e coloridas e as sirva inicialmente para promover saciedade;
- Evite molhos à base de maionese e queijos amarelos e gordurosos;
- Utiliza frutas na preparação de sobremesas;
- Evite servir petiscos gordurosos como salgadinhos e snacks. Prefira oleaginosas como castanha do Brasil, macadâmia, noz, avelã e amêndoa;
- Não participe da ceia com muita fome. Antes realize um lanche leve composto por frutas e cereais integrais;
- Mastigue bem os alimentos. Quem come muito rápido, além de apresentar uma digestão mais demorada, deixa de saborear o alimento e acaba ingerindo uma quantidade maior;
- Lembre-se que o mais importante nesta época é estar com a família e os amigos e não a refeição;
- Não exagere nas bebidas alcoólicas. Brinde com uma taça de champagne e no resto da noite priorize o consumo de água e sucos naturais.
Fonte: www.gettyimages.com.br
Mas se você deixar de seguir as dicas acima, não desista, persista. Coloque como uma meta para o próximo ano!! Mas cumpra, não deixe apenas como mais um desejo para 2011 e boas festas!!
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Tags: alimentação saudável ano novo ceia compras
Nutrição e longevidade
30 de agosto de 2010
Fonte: www.gettyimages.com.br
O mundo vivencia a transição demográfica, que hoje, caracteriza-se pela queda nos coeficientes de fecundidade e de mortalidade. Esse fenômeno se associa às melhores condições de viver e ao avanço do conhecimento científico e da tecnologia.
O aumento da expectativa de vida demanda o surgimento de novas formas de cuidados e amplia a adoção de medidas preventivas eficazes na redução ou retardo de disfunções e doenças associadas ao processo de envelhecimento.
Em todas as áreas de saúde é possível perceber as mudanças e conquistas obtidas a fim de proporcionar maior qualidade de vida aos indivíduos. Sendo assim, a Nutrição vem estabelecendo condutas para a promoção, recuperação e manutenção da saúde, por meio da adoção de práticas alimentares adequadas.
Os estudiosos utilizam a Nutrição como instrumento básico e eficaz no alcance do bem estar por meio de pesquisas que indicam fatores biopisicossociais que interferem no estado nutricional e na forma de alimentar-se ao longo dos anos.
Diversos problemas de relevância nutricional são observados em indivíduos idosos, uma vez que o envelhecimento fisiológico leva ao declínio de diversas funções orgânicas que podem comprometer a ingestão adequada de alimentos e o aproveitamento dos nutrientes. Agrava esse fato a utilização de medicamentos, a inatividade física e o isolamento social que acompanham alguns indivíduos.
É notável a importância da alimentação saudável e a diminuição do consumo alimentar na longevidade humana. Já dizem os estudiosos: “Coma menos, bem menos e viva mais”. A redução da ingestão total de calorias da dieta, de 10 a 50%, é suficiente para ampliar a esperança de vida e aumentar a qualidade de vida.
A teoria proposta pela “Dieta da longevidade” se baseia em diversas experiências realizadas desde os anos 1930 em laboratórios. Ratos que foram submetidos a uma dieta calórica extremamente baixa viveram até 50% mais tempo que outros ratos mais bem alimentados. Não só viveram mais mas também mantiveram aparência mais jovem por mais tempo além de serem mais ativos em idade avançada. Mas, os efeitos de uma dieta com baixas calorias em seres humanos ainda é motivo de controvérsias.
A restrição calórica reduz o acúmulo de mutações no DNA típicas do envelhecimento, retardando o aparecimento de doenças crônicas. Porém cuidado, reduções muito severas podem comprometer a saúde e trazer consequências deletérias ao organismo. Portanto, cuidado ao seguir dietas muito rigorosas, o importante é manter o equilíbrio!!
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Tags: alimentação longevidade nutrição
O que é estresse oxidativo?
26 de agosto de 2010 O estresse oxidativo pode ser definido como o desequilíbrio entre a formação e remoção de agentes oxidantes no organismo, decorrente da geração excessiva de espécies reativas de oxigênio (EROs) e/ou diminuição de antioxidantes endógenos.
Os radicais livres, como o ânion superóxido, hidroxila, alcoxila, peroxila, hidroperoxila, são quaisquer espécies químicas que contenham um ou mais elétrons não emparelhados em seu orbital eletrônico mais externo, ao passo que as EROs são quaisquer espécies oxidantes altamente reativas, inclusive os radicais livres. Exemplos de EROs não radicalares são o peróxido de hidrogênio, ácido hipocloroso, ozônio, oxigênio singlet e peróxidos lipídicos: todos capazes de induzir a produção de radicais livres no nosso organismo.
As EROs são formadas em diversas situações no organismo como, por exemplo, na síntese de ácidos nucléicos, na destoxificação de xenobióticos, na atividade de células do sistema imunitário, como resposta do processo inflamatório e, na transdução de sinais celulares. Mas, o mecanismo mais relevante da produção das EROs é o nosso metabolismo energético, a nossa respiração, ou seja, essas substâncias são inerentes à vida.
O estresse emocional, a elevada ingestão de ácidos graxos trans, a contaminação por metais pesados, o alto consumo de bebidas alcoólicas, a prática desregrada de atividade física, o consumo exagerado de medicamentos e a exposição a poluentes e toxinas ambientais são fatores determinantes para o aumento da produção de EROs.
O excesso de EROs proporciona diversos prejuízos no organismo, desde envelhecimento a patologias crônico não transmssíveis, além de doenças auto-imunes. Essas substâncias reagem com nossas estruturas celulares, danificando-as: comprometem nosso equilíbrio orgânico e favorecem o aparecimento das doenças.
Portanto, devemos garantir que nosso organismo elimine o excesso dessas substâncias deletérias e para isso, contamos com um sistema antioxidante. E, para este sistema ser eficiente, dependemos de diversos nutrientes e substâncias bioativas, dentre os quais se destacam vitamina E, vitamina C, ácido lipoico, coenzima Q10, beta caroteno, zinco, selênio, cobre, ferro, manganês e flavonóides. Mais uma vez, todos devem estar em equilíbrio! O excesso de ferro, vitamina E e cobre, por exemplo, ao invés de favorecer uma defesa antioxidante eficiente, favorecem o aumento de EROs!
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Tags: doenças crônico não transmissíveis estresse oxidativo metabolismo energético radicais livres
Nutrição e memória
7 de junho de 2010
Fonte: www.gettyimages.com.br
A alimentação saudável fornece uma variedade de nutrientes fundamentais para o bom funcionamento cerebral, inclusive estimulando a nossa capacidade de memorização. Estudos apontam que a alimentação desde o nascimento é fundamental para um bom desempenho do nosso cérebro. E por isso, a amamentação materna é ponto chave para o desenvolvimento cognitivo.
Não existe um consenso nos estudos sobre determinados alimentos que possam ajudar a prevenir perdas cognitivas e de memória, mas existem alguns nutrientes que parecem ter funções importantes, e é a partir destas informações que devemos buscar alimentos fontes destes nutrientes, sendo que o seu consumo deve ser diário. São eles:
- Vitamina C: combate os radicais livres que podem danificar os neurônios cerebrais. Presente em frutas cítricas e vegetais frescos
- Vitamina E: antioxidante que possui ação benéfica contra doenças vasculares cerebrais. Presente em óleos vegetais e oleaginosas
- Vitamina A e beta-caroteno: antioxidantes que regulam a expressão de genes. Presentes em carnes, ovos e vegetais verdes escuros e amarelo-alaranjados
- Folato: co-fator de reações que influenciam o desempenho cognitivo. Presente em vegetais verde escuros e feijões
- Vitamina B6: co-fator de reações que influenciam o desempenho cognitivo. Presentes em carnes e cereais integrais
- Vitamina B12: co-fator de reações que influenciam o desempenho cognitivo. Presente em carnes, ovos e leite
- Ácidos graxos poli-insaturados: regulam a função energética cerebral; componentes da estrutura das células nervosas e da bainha de mielina que auxilia na rapidez com que as informações são transmitidas de uma célula à outra. Presentes em azeite de oliva, óleo de canola e linhaça
- Colina: precursora da fosfatidilcolina que é importante na sinalização celular; associada com melhora da função cognitiva. Presente no ovo e semente de mostarda
- Ferro: sua deficiência diminui o fornecimento de energia e oxigênio ao cérebro. Presente em carnes, feijões e vegetais verde escuros
- Boro: sua deficiência diminui a atividade cerebral e o desempenho cognitivo. Presente em oleaginosas, frutas secas e feijões
- Zinco: retarda o envelhecimento cerebral. Presente em carnes, cereais integrais, feijões e soja
Portanto, para o bom funcionamento cerebral é essencial uma boa nutrição!! Mas não se esqueça: o consumo desses alimentos deve ser diário para que suas propriedades sejam aproveitadas..
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Tags: cérebro dieta memória nutrição
Efeitos do Tribulus terrestris: muito além do desempenho sexual
28 de maio de 2010 O Tribulus terrestris é uma planta de origem indiana que tem recebido atenção pelo seu emprego na melhora do desempenho sexual, associado ou não à disfunção erétil e ainda para incrementar performance atlética. Isso porque seus princípios ativos – saponinas esteroidais e protodioscina – promovem maior síntese de testosterona, hormônio predominantemente masculino, associado ao aumento de libido e massa muscular, além de provocar maior vasodilatação, o que pode explicar seus efeitos sobre a ereção.
Um estudo promovido no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro demonstrou que o emprego desse fitoterápico proporcionou uma melhora significativa de até 65% no desempenho sexual dos 45 participantes da pesquisa.
Cabe ressaltar que a planta pode ser utilizada em ambos os sexos. Em mulheres, o Tribulus terrestris promove um aumento da concentração de hormônios, incluindo o estradiol, com alteração discreta da testosterona, acarretando em melhoria da função reprodutora, libido e ovulação.
O Tribulus terrestris possui ainda propriedade de reduzir os níveis de colesterol e triglicerídeos, diminuindo o risco de doenças cardíacas, além de uxiliar na manutenção da massa óssea e aumento da imunidade. Por isso, pode ser indicado para idosos para tratamento de artrites, artroses, fraqueza muscular e fadiga crônica.
Até o momento não há registros de efeitos colaterais decorrentes da utilização desse fitoterápico, entretanto, é interessante “ciclar” o consumo do Tribulus terrestris.
As doses de segurança e o tempo de utilização são individualizados, portanto procure seu nutricionista para avaliação adequada!
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A alimentação no climatério
20 de abril de 2010
Fonte: www.gettyimages.com.br
O climatério é a fase em que ocorre a transição do período reprodutivo da mulher para o período não fértil e, acontece em decorrência da diminuição da produção de hormônios pelos ovários. Os efeitos colaterais dessa queda hormonal são muitos como, por exemplo, ondas de calor, alterações urogenitais e de humor e maior risco de desenvolvimento de osteoporose.
Contudo, os efeitos da queda hormonal podem ser minimizados com uma alimentação balanceada. Isso porque certos tipos de alimentos ajudam na modulação de reações bioquímicas do organismo. A dica principal é optar pelos que possuem ação estrogênio-símile, como as isoflavonas encontradas na soja; o resveratrol presente nas uvas roxas, no açaí, na jabuticaba e na amora; as lignanas encontradas na linhaça.
Para a manutenção de um metabolismo ósseo saudável, a dieta deve ser rica em resíduos alcalinos. Um fator muito importante, já que a menopausa favorece a diminuição da densidade óssea. É necessário entender que isso acontece pela redução do pH sanguíneo. Se o sangue fica com o pH menor que 7,35 favorece a diminuição da microarquitetura óssea, causando a osteoporose.
A boa notícia é que a doença pode ser controlada por três grandes aliados: os vegetais, as frutas e os cereais integrais. É válido destacar que o brócolis, o agrião, a rúcula e a couve-manteiga são excelentes pedidas. E quem acha que o leite é recomendado neste caso, se engana. Ele é uma ótima fonte de cálcio porém, para ser absorvido, depende da presença de magnésio e o leite não é boa fonte de magnésio. O magnésio seria como “um porteiro” nas nossas células. Portanto, se tivermos bastante cálcio, mas pouco magnésio, não há garantia de formação de massa óssea. No leite, a biodisponibilidade (disponível para a absorção) de cálcio é de 32%, enquanto que em vegetais em tons verde escuro fica entre 50% e 61%.
Quanto aos fogachos ou ondas de calor, em diversos estudos a soja e a linhaça também se mostraram ótimas aliadas na diminuição desse sintoma.
Portanto, durante esta fase da vida, as mulheres devem continuar optando por uma dieta equilibrada, saudável e colorida! O mais natural possível! Dessa forma, consegue-se bem estar e qualidade de vida!
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Tags: climatério dieta menopausa nutrição
O sódio e a pressão arterial
16 de abril de 2010
Fonte:www.gettyimages.com.br
O sal de cozinha é formado principalmente por cloreto de sódio (NaCl) e era, até pouco tempo atrás, um importante conservante alimentar. Em séculos passados sua importância para este fim era ainda maior, a tal ponto que foi até mesmo usado como forma de pagamento no período romano, sendo esta a origem da palavra “salário”.
A maior fonte de sódio que consumimos está na forma de cloreto de sódio (sal) que é um mineral necessário para manter o balanço de água do organismo e auxiliar os músculos e nervos a funcionarem apropriadamente. Este sódio também possui papel na regulação da pressão arterial.
Além disso, o sal que consumimos é iodado, com o objetivo de prevenir os chamados distúrbios por deficiência de iodo, abortos prematuros e retardos mentais. O iodo forma os hormônios tireoidianos, que são essenciais para estimular o gasto de calorias pelo organismo.
Embora seu papel seja importante, a quantidade real de sódio que necessitamos diariamente é muito pequena (cerca de 1500 miligramas por dia, ou aproximadamente 1/2 colher de chá de sal de cozinha). Também sabemos que o desejo para o sal nos alimentos é adquirido durante a vida, e da mesma forma que aprendemos a apreciar este sabor, podemos desaprendê-lo.
O sódio é encontrado em muitas outras formas e ocorre naturalmente nos alimentos. Ele e o sal são encontrados naturalmente no leite, carnes e certos vegetais. Também é adicionado a alimentos como pães, cereais e alimentos industrializados, como enlatados e congelados. Outros compostos contendo sódio, como conservantes ou flavorizantes, adicionados aos alimentos durante o processamento, preparo ou à mesa podem também contribuir para o conteúdo alto de sódio na dieta. O sódio também faz parte de outras misturas usadas para dar sabor e preservar alimentos. Você pode fazer algumas mudanças simples para consumir menos sal, e deste modo prevenir o aumento da pressão arterial:
Quando fizer compras:
Compre frutas e vegetais para lanchar ao invés de biscoitos e salgadinhos.
Leia o rótulo dos alimentos. Compre alimentos nos quais o rótulo diz “sódio reduzido”, “baixo teor de sódio”, “sem sódio” ou “sem adição de sal”.
Evite os alimentos enlatados e processados como salsicha, salame, presunto, sopas enlatadas e picles. Além do sódio, estes alimentos são ricos em aditivos alimentares que dão muito trabalho para o organismo processar.
Quando cozinhar:
A cada dia diminua um pouco a quantidade de sal que adiciona à comida. Em breve você se acostumará a ingerir menos sal.
Use temperos naturais ao invés de sal. Tempere sua comida com ervas e temperos como pimenta, menta, cominho ou hortelã. Estes alimentos são potentes antioxidantes que, dentre outras funções, favorecem o processo de vasodilatação, essencial para o controle da pressão arterial.
Utilize alho e cebola em pó ao invés de alho e cebola salgados.
Evite consumir caldos de carne e afins, molho shoyu e ketchup que, além de serem ricos em sódio, possuem outros aditivos alimentares que sobrecarregam o metabolismo hepático.
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Tags: dieta hipertensão nutrição sal
Sejam bem vindos
8 de abril de 2010 Atualmente, sabe-se da importância da alimentação para se ter qualidade de vida. Logo, torna-se imprescindível oferecer informações claras e objetivas sobre como as pessoas devem proceder em relação a sua Nutrição.
Muitos vivem no limiar entre a saúde e doença: quem não tem uma unha fraca? Ou um cabelo quebradiço? Ou uma pele seca… enfim, esses pequenos problemas que podem nos incomodar com frequência não significa, de forma alguma, saúde e, quando não tomamos providência, estes primeiros sinais podem tomar uma proporção tamanha que, inevitavelmente, temos de buscar tratamentos médicos. Portanto, vamos no caminho inverso: Na filosofia do SigaSuaDieta trabalhamos modelo de bem estar e, assim, vamos em direção a saúde. É importante lembrar que saúde não é meramente ausência de doença mas, o alcance do nosso equilíbrio físico, mental e emocional.
O SigaSuaDieta traz o que tem de melhor em informação quando o assunto é Nutrição. Nosso objetivo é divulgar este tema, de forma prática e objetiva, de maneira que possamos realmente aplicá-lo em nosso cotidiano, melhorando nosso rendimento, saúde e qualidade de vida. Seja bem vindo!
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Para um final de ano saudável
24 de dezembro de 2010 Estamos às vésperas das festas de fim de ano, e isso, muitas vezes, significa o exagero no consumo de alimentos calóricos e bebidas alcoólicas. Mas você pode aproveitar as festas e saborear a ceia sem extravagâncias, pois é possível participar de uma mesa composta por alimentos nutritivos e saudáveis.
Seguem algumas dicas:
- Planeje o cardápio com antecedência, com preparações leves e saudáveis;
- Monte uma lista de compras para não adquirir produtos desnecessários no mercado;
- Prefira preparações cozidas ou assadas, com alimentos menos gordurosos e mais nutritivos;
- Elabore saladas variadas e coloridas e as sirva inicialmente para promover saciedade;
- Evite molhos à base de maionese e queijos amarelos e gordurosos;
- Utiliza frutas na preparação de sobremesas;
- Evite servir petiscos gordurosos como salgadinhos e snacks. Prefira oleaginosas como castanha do Brasil, macadâmia, noz, avelã e amêndoa;
- Não participe da ceia com muita fome. Antes realize um lanche leve composto por frutas e cereais integrais;
- Mastigue bem os alimentos. Quem come muito rápido, além de apresentar uma digestão mais demorada, deixa de saborear o alimento e acaba ingerindo uma quantidade maior;
- Lembre-se que o mais importante nesta época é estar com a família e os amigos e não a refeição;
- Não exagere nas bebidas alcoólicas. Brinde com uma taça de champagne e no resto da noite priorize o consumo de água e sucos naturais.
Fonte: www.gettyimages.com.br
Mas se você deixar de seguir as dicas acima, não desista, persista. Coloque como uma meta para o próximo ano!! Mas cumpra, não deixe apenas como mais um desejo para 2011 e boas festas!!
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Nutrição e longevidade
30 de agosto de 2010
Fonte: www.gettyimages.com.br
O mundo vivencia a transição demográfica, que hoje, caracteriza-se pela queda nos coeficientes de fecundidade e de mortalidade. Esse fenômeno se associa às melhores condições de viver e ao avanço do conhecimento científico e da tecnologia.
O aumento da expectativa de vida demanda o surgimento de novas formas de cuidados e amplia a adoção de medidas preventivas eficazes na redução ou retardo de disfunções e doenças associadas ao processo de envelhecimento.
Em todas as áreas de saúde é possível perceber as mudanças e conquistas obtidas a fim de proporcionar maior qualidade de vida aos indivíduos. Sendo assim, a Nutrição vem estabelecendo condutas para a promoção, recuperação e manutenção da saúde, por meio da adoção de práticas alimentares adequadas.
Os estudiosos utilizam a Nutrição como instrumento básico e eficaz no alcance do bem estar por meio de pesquisas que indicam fatores biopisicossociais que interferem no estado nutricional e na forma de alimentar-se ao longo dos anos.
Diversos problemas de relevância nutricional são observados em indivíduos idosos, uma vez que o envelhecimento fisiológico leva ao declínio de diversas funções orgânicas que podem comprometer a ingestão adequada de alimentos e o aproveitamento dos nutrientes. Agrava esse fato a utilização de medicamentos, a inatividade física e o isolamento social que acompanham alguns indivíduos.
É notável a importância da alimentação saudável e a diminuição do consumo alimentar na longevidade humana. Já dizem os estudiosos: “Coma menos, bem menos e viva mais”. A redução da ingestão total de calorias da dieta, de 10 a 50%, é suficiente para ampliar a esperança de vida e aumentar a qualidade de vida.
A teoria proposta pela “Dieta da longevidade” se baseia em diversas experiências realizadas desde os anos 1930 em laboratórios. Ratos que foram submetidos a uma dieta calórica extremamente baixa viveram até 50% mais tempo que outros ratos mais bem alimentados. Não só viveram mais mas também mantiveram aparência mais jovem por mais tempo além de serem mais ativos em idade avançada. Mas, os efeitos de uma dieta com baixas calorias em seres humanos ainda é motivo de controvérsias.
A restrição calórica reduz o acúmulo de mutações no DNA típicas do envelhecimento, retardando o aparecimento de doenças crônicas. Porém cuidado, reduções muito severas podem comprometer a saúde e trazer consequências deletérias ao organismo. Portanto, cuidado ao seguir dietas muito rigorosas, o importante é manter o equilíbrio!!
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O que é estresse oxidativo?
26 de agosto de 2010 O estresse oxidativo pode ser definido como o desequilíbrio entre a formação e remoção de agentes oxidantes no organismo, decorrente da geração excessiva de espécies reativas de oxigênio (EROs) e/ou diminuição de antioxidantes endógenos.
Os radicais livres, como o ânion superóxido, hidroxila, alcoxila, peroxila, hidroperoxila, são quaisquer espécies químicas que contenham um ou mais elétrons não emparelhados em seu orbital eletrônico mais externo, ao passo que as EROs são quaisquer espécies oxidantes altamente reativas, inclusive os radicais livres. Exemplos de EROs não radicalares são o peróxido de hidrogênio, ácido hipocloroso, ozônio, oxigênio singlet e peróxidos lipídicos: todos capazes de induzir a produção de radicais livres no nosso organismo.
As EROs são formadas em diversas situações no organismo como, por exemplo, na síntese de ácidos nucléicos, na destoxificação de xenobióticos, na atividade de células do sistema imunitário, como resposta do processo inflamatório e, na transdução de sinais celulares. Mas, o mecanismo mais relevante da produção das EROs é o nosso metabolismo energético, a nossa respiração, ou seja, essas substâncias são inerentes à vida.
O estresse emocional, a elevada ingestão de ácidos graxos trans, a contaminação por metais pesados, o alto consumo de bebidas alcoólicas, a prática desregrada de atividade física, o consumo exagerado de medicamentos e a exposição a poluentes e toxinas ambientais são fatores determinantes para o aumento da produção de EROs.
O excesso de EROs proporciona diversos prejuízos no organismo, desde envelhecimento a patologias crônico não transmssíveis, além de doenças auto-imunes. Essas substâncias reagem com nossas estruturas celulares, danificando-as: comprometem nosso equilíbrio orgânico e favorecem o aparecimento das doenças.
Portanto, devemos garantir que nosso organismo elimine o excesso dessas substâncias deletérias e para isso, contamos com um sistema antioxidante. E, para este sistema ser eficiente, dependemos de diversos nutrientes e substâncias bioativas, dentre os quais se destacam vitamina E, vitamina C, ácido lipoico, coenzima Q10, beta caroteno, zinco, selênio, cobre, ferro, manganês e flavonóides. Mais uma vez, todos devem estar em equilíbrio! O excesso de ferro, vitamina E e cobre, por exemplo, ao invés de favorecer uma defesa antioxidante eficiente, favorecem o aumento de EROs!
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Nutrição e memória
7 de junho de 2010
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A alimentação saudável fornece uma variedade de nutrientes fundamentais para o bom funcionamento cerebral, inclusive estimulando a nossa capacidade de memorização. Estudos apontam que a alimentação desde o nascimento é fundamental para um bom desempenho do nosso cérebro. E por isso, a amamentação materna é ponto chave para o desenvolvimento cognitivo.
Não existe um consenso nos estudos sobre determinados alimentos que possam ajudar a prevenir perdas cognitivas e de memória, mas existem alguns nutrientes que parecem ter funções importantes, e é a partir destas informações que devemos buscar alimentos fontes destes nutrientes, sendo que o seu consumo deve ser diário. São eles:
- Vitamina C: combate os radicais livres que podem danificar os neurônios cerebrais. Presente em frutas cítricas e vegetais frescos
- Vitamina E: antioxidante que possui ação benéfica contra doenças vasculares cerebrais. Presente em óleos vegetais e oleaginosas
- Vitamina A e beta-caroteno: antioxidantes que regulam a expressão de genes. Presentes em carnes, ovos e vegetais verdes escuros e amarelo-alaranjados
- Folato: co-fator de reações que influenciam o desempenho cognitivo. Presente em vegetais verde escuros e feijões
- Vitamina B6: co-fator de reações que influenciam o desempenho cognitivo. Presentes em carnes e cereais integrais
- Vitamina B12: co-fator de reações que influenciam o desempenho cognitivo. Presente em carnes, ovos e leite
- Ácidos graxos poli-insaturados: regulam a função energética cerebral; componentes da estrutura das células nervosas e da bainha de mielina que auxilia na rapidez com que as informações são transmitidas de uma célula à outra. Presentes em azeite de oliva, óleo de canola e linhaça
- Colina: precursora da fosfatidilcolina que é importante na sinalização celular; associada com melhora da função cognitiva. Presente no ovo e semente de mostarda
- Ferro: sua deficiência diminui o fornecimento de energia e oxigênio ao cérebro. Presente em carnes, feijões e vegetais verde escuros
- Boro: sua deficiência diminui a atividade cerebral e o desempenho cognitivo. Presente em oleaginosas, frutas secas e feijões
- Zinco: retarda o envelhecimento cerebral. Presente em carnes, cereais integrais, feijões e soja
Portanto, para o bom funcionamento cerebral é essencial uma boa nutrição!! Mas não se esqueça: o consumo desses alimentos deve ser diário para que suas propriedades sejam aproveitadas..
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Tags: cérebro dieta memória nutrição
Efeitos do Tribulus terrestris: muito além do desempenho sexual
28 de maio de 2010 O Tribulus terrestris é uma planta de origem indiana que tem recebido atenção pelo seu emprego na melhora do desempenho sexual, associado ou não à disfunção erétil e ainda para incrementar performance atlética. Isso porque seus princípios ativos – saponinas esteroidais e protodioscina – promovem maior síntese de testosterona, hormônio predominantemente masculino, associado ao aumento de libido e massa muscular, além de provocar maior vasodilatação, o que pode explicar seus efeitos sobre a ereção.
Um estudo promovido no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro demonstrou que o emprego desse fitoterápico proporcionou uma melhora significativa de até 65% no desempenho sexual dos 45 participantes da pesquisa.
Cabe ressaltar que a planta pode ser utilizada em ambos os sexos. Em mulheres, o Tribulus terrestris promove um aumento da concentração de hormônios, incluindo o estradiol, com alteração discreta da testosterona, acarretando em melhoria da função reprodutora, libido e ovulação.
O Tribulus terrestris possui ainda propriedade de reduzir os níveis de colesterol e triglicerídeos, diminuindo o risco de doenças cardíacas, além de uxiliar na manutenção da massa óssea e aumento da imunidade. Por isso, pode ser indicado para idosos para tratamento de artrites, artroses, fraqueza muscular e fadiga crônica.
Até o momento não há registros de efeitos colaterais decorrentes da utilização desse fitoterápico, entretanto, é interessante “ciclar” o consumo do Tribulus terrestris.
As doses de segurança e o tempo de utilização são individualizados, portanto procure seu nutricionista para avaliação adequada!
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A alimentação no climatério
20 de abril de 2010
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O climatério é a fase em que ocorre a transição do período reprodutivo da mulher para o período não fértil e, acontece em decorrência da diminuição da produção de hormônios pelos ovários. Os efeitos colaterais dessa queda hormonal são muitos como, por exemplo, ondas de calor, alterações urogenitais e de humor e maior risco de desenvolvimento de osteoporose.
Contudo, os efeitos da queda hormonal podem ser minimizados com uma alimentação balanceada. Isso porque certos tipos de alimentos ajudam na modulação de reações bioquímicas do organismo. A dica principal é optar pelos que possuem ação estrogênio-símile, como as isoflavonas encontradas na soja; o resveratrol presente nas uvas roxas, no açaí, na jabuticaba e na amora; as lignanas encontradas na linhaça.
Para a manutenção de um metabolismo ósseo saudável, a dieta deve ser rica em resíduos alcalinos. Um fator muito importante, já que a menopausa favorece a diminuição da densidade óssea. É necessário entender que isso acontece pela redução do pH sanguíneo. Se o sangue fica com o pH menor que 7,35 favorece a diminuição da microarquitetura óssea, causando a osteoporose.
A boa notícia é que a doença pode ser controlada por três grandes aliados: os vegetais, as frutas e os cereais integrais. É válido destacar que o brócolis, o agrião, a rúcula e a couve-manteiga são excelentes pedidas. E quem acha que o leite é recomendado neste caso, se engana. Ele é uma ótima fonte de cálcio porém, para ser absorvido, depende da presença de magnésio e o leite não é boa fonte de magnésio. O magnésio seria como “um porteiro” nas nossas células. Portanto, se tivermos bastante cálcio, mas pouco magnésio, não há garantia de formação de massa óssea. No leite, a biodisponibilidade (disponível para a absorção) de cálcio é de 32%, enquanto que em vegetais em tons verde escuro fica entre 50% e 61%.
Quanto aos fogachos ou ondas de calor, em diversos estudos a soja e a linhaça também se mostraram ótimas aliadas na diminuição desse sintoma.
Portanto, durante esta fase da vida, as mulheres devem continuar optando por uma dieta equilibrada, saudável e colorida! O mais natural possível! Dessa forma, consegue-se bem estar e qualidade de vida!
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O sódio e a pressão arterial
16 de abril de 2010
Fonte:www.gettyimages.com.br
O sal de cozinha é formado principalmente por cloreto de sódio (NaCl) e era, até pouco tempo atrás, um importante conservante alimentar. Em séculos passados sua importância para este fim era ainda maior, a tal ponto que foi até mesmo usado como forma de pagamento no período romano, sendo esta a origem da palavra “salário”.
A maior fonte de sódio que consumimos está na forma de cloreto de sódio (sal) que é um mineral necessário para manter o balanço de água do organismo e auxiliar os músculos e nervos a funcionarem apropriadamente. Este sódio também possui papel na regulação da pressão arterial.
Além disso, o sal que consumimos é iodado, com o objetivo de prevenir os chamados distúrbios por deficiência de iodo, abortos prematuros e retardos mentais. O iodo forma os hormônios tireoidianos, que são essenciais para estimular o gasto de calorias pelo organismo.
Embora seu papel seja importante, a quantidade real de sódio que necessitamos diariamente é muito pequena (cerca de 1500 miligramas por dia, ou aproximadamente 1/2 colher de chá de sal de cozinha). Também sabemos que o desejo para o sal nos alimentos é adquirido durante a vida, e da mesma forma que aprendemos a apreciar este sabor, podemos desaprendê-lo.
O sódio é encontrado em muitas outras formas e ocorre naturalmente nos alimentos. Ele e o sal são encontrados naturalmente no leite, carnes e certos vegetais. Também é adicionado a alimentos como pães, cereais e alimentos industrializados, como enlatados e congelados. Outros compostos contendo sódio, como conservantes ou flavorizantes, adicionados aos alimentos durante o processamento, preparo ou à mesa podem também contribuir para o conteúdo alto de sódio na dieta. O sódio também faz parte de outras misturas usadas para dar sabor e preservar alimentos. Você pode fazer algumas mudanças simples para consumir menos sal, e deste modo prevenir o aumento da pressão arterial:
Quando fizer compras:
Compre frutas e vegetais para lanchar ao invés de biscoitos e salgadinhos.
Leia o rótulo dos alimentos. Compre alimentos nos quais o rótulo diz “sódio reduzido”, “baixo teor de sódio”, “sem sódio” ou “sem adição de sal”.
Evite os alimentos enlatados e processados como salsicha, salame, presunto, sopas enlatadas e picles. Além do sódio, estes alimentos são ricos em aditivos alimentares que dão muito trabalho para o organismo processar.
Quando cozinhar:
A cada dia diminua um pouco a quantidade de sal que adiciona à comida. Em breve você se acostumará a ingerir menos sal.
Use temperos naturais ao invés de sal. Tempere sua comida com ervas e temperos como pimenta, menta, cominho ou hortelã. Estes alimentos são potentes antioxidantes que, dentre outras funções, favorecem o processo de vasodilatação, essencial para o controle da pressão arterial.
Utilize alho e cebola em pó ao invés de alho e cebola salgados.
Evite consumir caldos de carne e afins, molho shoyu e ketchup que, além de serem ricos em sódio, possuem outros aditivos alimentares que sobrecarregam o metabolismo hepático.
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Tags: dieta hipertensão nutrição sal
Sejam bem vindos
8 de abril de 2010 Atualmente, sabe-se da importância da alimentação para se ter qualidade de vida. Logo, torna-se imprescindível oferecer informações claras e objetivas sobre como as pessoas devem proceder em relação a sua Nutrição.
Muitos vivem no limiar entre a saúde e doença: quem não tem uma unha fraca? Ou um cabelo quebradiço? Ou uma pele seca… enfim, esses pequenos problemas que podem nos incomodar com frequência não significa, de forma alguma, saúde e, quando não tomamos providência, estes primeiros sinais podem tomar uma proporção tamanha que, inevitavelmente, temos de buscar tratamentos médicos. Portanto, vamos no caminho inverso: Na filosofia do SigaSuaDieta trabalhamos modelo de bem estar e, assim, vamos em direção a saúde. É importante lembrar que saúde não é meramente ausência de doença mas, o alcance do nosso equilíbrio físico, mental e emocional.
O SigaSuaDieta traz o que tem de melhor em informação quando o assunto é Nutrição. Nosso objetivo é divulgar este tema, de forma prática e objetiva, de maneira que possamos realmente aplicá-lo em nosso cotidiano, melhorando nosso rendimento, saúde e qualidade de vida. Seja bem vindo!
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Prevalência de doenças crônicas e estado
nutricional em um grupo de idosos
brasileiros
The prevalence of chronic disease in a group of elderly Brazilian
people and their nutritional status
Christiane Leite-Cavalcanti1, Maria da Conceição Rodrigues-Gonçalves1,
Luiza Sonia Rios-Asciutti1 e Alessandro Leite-Cavalcanti2
1 Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, Paraíba, Brasil. chris_tiane2006@hotmail.com;
raulceica@ig.com.br; luiza.asciutti@terra.com.br.
2 Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, Paraíba, Brasil. dralessandro@ibest.com.br
Recebido em 4 Maio 2009/Enviado para Modificação em 7 Novembro 2009/Aprovado em 15 Novembro 2009
RESUMO
Objetivo Avaliar a prevalência de doenças crônicas e o estado nutricional de um
grupo de idosos do município de João Pessoa, PB, Brasil.
Método Foram avaliados 117 idosos com idades entre 60 e 89 anos atendidos nos
Centros de Referência e Cidadania. O instrumento de pesquisa compreendeu um
questionário e incluía variáveis sócio-demográficas, sócio-econômicas,
comportamentos relacionados à saúde e antropométricas. Os resultados foram
organizados com o Software SPSS, sendo apresentados por meio da estatística
descritiva (média e desvio-padrão, freqüências absoluta e percentual).
Resultados Em relação ao uso do tabaco e do álcool, 4,3 % e 9,4 %, respectivamente,
afirmaram fazer uso destas substâncias e 56,4 % reportaram não praticar atividade
física. Da amostra, 78,6 % utilizam medicamentos e 82,1 % afirmaram possuir alguma
doença crônica não-transmissível, sendo mais freqüentes a hipertensão arterial
(56,4 %), as dislipidemias (33,3 %) e o diabetes mellitus (20,5 %). Segundo a
classificação do IMC, 46,2 % apresentavam sobrepeso e 40,2 % obesidade grau,
enquanto em relação ao RCQ, 97,4 % foram classificados como obesos abdominais.
Conclusão A prevalência de doenças crônicas foi elevada, principalmente a hipertensão
arterial, com a maioria dos idosos sendo classificados como obesos abdominais,
com risco muito alto para desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
Palavras-Chave: Avaliação nutricional, Saúde do idoso institucionalizado, Sobrepeso,
Obesidade (fonte: DeCS, BIREME).
ABSTRACT
Objective Evaluating the prevalence of chronic disease in a group of elderly people
living in the city of João Pessoa, PB, Brazil and their nutritional status.
Method 117 subjects aged 60 to 89 attending local Reference and Citizenship Cen-
tres were evaluated. The research instrument used was a questionnaire addressing
865
REVISTA DE SALUD PÚBLICA · Volumen 11(6), Diciembre 2009
socio-demographic, socioeconomic and anthropometric variables and health-related
behaviour. The data so collected was organised using SPSS statistical software and
presented via descriptive statistics (mean and standard deviation, and absolute and
percentage frequencies).
Results 4.3 % and 9.4 % of the subjects admitted using tobacco and alcohol, respec-
tively. 56.4 % did not engage in any physical activity. As many as 78.6 % used medica-
tions and 82.1 % admitted to suffering from some non-transmissible chronic disease,
the most frequent being hypertension (56.4 %), dyslipidaemia (33.3 %) and diabetes
mellitus (20.5 %). According to body mass index (BMI) classification, 46.2 % were
overweight and 40.2 % presented degree I obesity. Regarding the waist-to-hip ratio
(WHR), abdominal obesity was diagnosed in 97.4 % of the elderly in the study.
Conclusion The prevalence of chronic disease, especially hypertension, was high in
the studied population. Most institutionalised elderly were classified as suffering from
abdominal obesity, representing an extremely high risk of developing cardiovascular
disease.
Key Words: Nutritional assessment, health services for the institutionalised elderly,
overweight, obesity (source: MeSH, NLM).
RESUMEN
Prevalencia de enfermedades crónicas y estado nutricional en un grupo de personas de
edad avanzada, de Brasil
Objetivo Evaluar la prevalencia de enfermedades crónicas y el estado nutricional de grupo de
personas de edad avanzad, del muncipio João Pessoa, PB, Brasil.
Método Se evaluaron 117 personas con edades entre 60 y 89 años, atendidos en los Centros de
Referencia y Ciudadanía. Se utilizó un cuestionario que incluía variables socio-demográficas,
socio-económicas, comportamientos relacionados con las salud y antropométricas. Los resultados
fueron organizados con el software SPSS y se presentaron por medio de estadísticas descriptivas
(frecuencias absolutas y proporcionales, medias y desviaciones).
Resultados En relación con el consumo de tabaco y del alcohol, 4,3 y 9,4 % respectivamente
afirmaron utilizar estas sustancias y 56,4 % reportaron no hacer actividad física. Del total, 78,6 %
utilizan medicamentos y 82,1% afirmaron tener alguna enfermedad crónica no transmisible, más
frecuentes la hipertensión arterial (56,4 %), las dislipidemias (33,3 %) y la Diabetes mellitus (20,5
%). Con la clasificación del IMC, 46,2 % presentaron sobrepeso y 40,2 % obesidad, mientras que
en relación con RCQ, 97,4 % fueron clasificados como obesos abdominales.
Conclusiones La prevalencia de enfermedades crónicas fue elevada, principalmente la
hipertensión arterial, con la mayoría de quienes la presentaron clasificados como obesos
abdominales, con alto riesgo de desarrollo de enfermedades cardiovasculares.
Palabras Clave: Evaluación nutricional, salud del anciano institucionalizado, sobrepeso, obesidad
(fuente: DeCS, BIREME).
Alayón - Complicaciones crónicas
Leite - Doenças crônicas
867
O
envelhecimento da população é um fenômeno de amplitude mundial, posto
que a World Health Organization (WHO) prevê que em 2025 existirão 1,2
bilhões de pessoas com mais de 60 anos, sendo que os muito idosos (com
80 ou mais anos) constituem o grupo etário de maior crescimento (1).
Todavia, esse processo ganha maior importância nos países em desenvolvimento,
com o crescimento acelerado da população de sessenta anos e mais em relação
à população geral. Aumentos de até 300% da população idosa são esperados
nesses países, especialmente nos que integram a América Latina (2). No Brasil,
o aumento da população idosa vem ocorrendo de forma muito rápida, sem a
correspondente modificação nas condições de vida (3).
São considerados idosos, nos países em desenvolvimento, os indivíduos com
faixa etária igual ou superior a 60 anos de idade enquanto que nos países
desenvolvidos o recorte etário é de 65 anos. Em relação ao Brasil, a Lei de n°
8.842/94, em seu artigo 2º, parágrafo único, refere que “são consideradas idosas
as pessoas maiores de 60 anos, de ambos os gêneros, sem distinção de cor, etnia
e ideologia” (4).
Vários são os meios de melhorar a qualidade de vida daqueles que estão no
processo de envelhecer, dentre os quais se inclui o desenvolvimento de programas
de saúde. Esses programas de saúde, que têm como base à comunidade e que
implicam promoção da saúde do idoso, devem ter a nutrição como uma das
áreas prioritárias (3).
A condição de nutrição é aspecto importante nesse contexto, visto que os
idosos apresentam condições peculiares que comprometem seu estado nutricional.
Alguns desses condicionantes ocorrem devido às alterações fisiológicas do próprio
envelhecimento, enquanto outros são acarretados pelas enfermidades presentes,
pelas práticas ao longo da vida (fumo, dieta, atividade física) e situação
socioeconômica (5,6).
A manutenção de um estado nutricional adequado é muito importante, pois, de
um lado, encontra-se o baixo-peso, que aumenta o risco de infecções e mortalidade,
e do outro o sobrepeso, que aumenta o risco de Doenças Crônicas Não-
Transmissíveis (DCNT), como hipertensão, diabetes mellitus e hiperlipidemias (7).
Com o fenômeno de envelhecimento populacional, aumenta, cada vez mais,
a necessidade de conhecimento dos fatores que incidem sobre a prevalência das
DCNT associadas à idade. Um exemplo disso é que taxas elevadas de sobrepeso
REVISTA DE SALUD PÚBLICA · Volumen 11(6), Diciembre 2009
e obesidade em todas as faixas etárias, incluindo os idosos, atingindo os dois
gêneros, estão sendo observadas no mundo inteiro (8).
O processo de envelhecimento populacional vem-se constituindo num dos
maiores desafios para a saúde pública contemporânea, principalmente nos países
onde esse fenômeno tem ocorrido em situações de pobreza e grande desigualdade
social (9). O delineamento de políticas específicas para pessoas idosas vem
sendo apontado como altamente necessário, sendo imprescindível o conhecimento
das necessidades e condições de vida desse grupo etário (10).
Com o aumento de pessoas acima dos 60 anos de idade, eleva-se a necessidade
de estudos que investiguem os comportamentos relacionados à saúde e o estado
nutricional para que as propostas de políticas de saúde causem impacto na qualidade
de vida desta população. Portanto, objetivando oferecer subsídios para o
planejamento local de ações de saúde, o presente estudo avaliou a prevalência
de doenças crônicas e o estado nutricional em um grupo de idosos do município
de João Pessoa, PB, Brasil.
METODOLOGIA
A pesquisa foi realizada em João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, localizada
na região nordeste do Brasil. O município possui uma população de mais de 700 mil
habitantes e um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,78.
Local do estudo
Esse estudo epidemiológico e transversal foi realizado nos Centros de Referência
e Cidadania (CRC), pertencentes à Secretaria do Desenvolvimento Social (SEDES),
da Prefeitura do Município de João Pessoa, PB. Esses centros constituem-se em
espaços privilegiados voltados à valorização dos idosos, com o desenvolvimento de
atividades de lazer, trabalhos manuais, noções de saúde e o exercício da cidadania.
Existem dez centros, distribuídos em diferentes bairros do Município, dos quais
nove foram incluídos na pesquisa.
População estudada
De um total de 224 idosos de ambos os gêneros, com idade entre 60 a 87 anos, 117
(52,2%) concordaram em participar da pesquisa, sendo a amostra do tipo não
probabilística.
Foram excluídos do estudo os idosos que apresentavam alterações de ordem
neurológica que os impossibilitassem de compreender os objetivos do estudo e/ou
alterações físicas que impossibilitassem a verificação das medidas antropométricas.
Leite - Doenças crônicas
Alayón - Complicaciones crónicas
869
Esta pesquisa foi norteada segundo a Resolução 196/96 do Conselho Nacional
de Saúde do Brasil e segue os princípios da Declaração de Helsinque, sendo
aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da
Universidade Federal da Paraíba – CEP/CCS, sob o nº 680/06.
Instrumento de Pesquisa e Variáveis
Para a caracterização dos idosos, o instrumento de pesquisa compreendeu um
questionário individual e incluíam as seguintes variáveis: características sócio-
demográficas (gênero, idade e estado civil), comportamentos relacionados à saúde
(ingestão de bebida alcoólica, hábito de tabagismo, prática de atividade física, uso
de medicamentos, presença e número de doenças crônicas) e antropométricas
(peso, estatura, circunferência da cintura e do quadril).
Avaliação Antropométrica
A coleta de dados foi realizada no período de março a maio de 2007, nos próprios
centros onde os idosos eram cadastrados, por um único pesquisador. A avaliação
antropométrica foi feita a partir da obtenção das medidas de peso, altura e
circunferências de cintura e de quadril (11).
O peso foi verificado utilizando-se uma balança digital (Tech Line TEC-130,
capacidade para 136 kg e intervalo de 100 g), com o indivíduo descalço e, com
roupas leves. A estatura foi verificada usando-se estadiômetro (Sanny ES 2040,
tipo trena com 220 cm) com o indivíduo ereto e com os calcanhares alinhados.
Foi utilizado o Índice de Massa Corpórea (IMC) considerando-se a razão peso
atual (kg)/quadrado da estatura (m²), baseando-se nos pontos de corte previamente
descritos na literatura (12).
As circunferências da cintura (CC) e do quadril (CQ) foram verificadas com
o auxílio de uma Fita de Medidas Antropométricas, (Sanny, com 200cm, divisão
de 1 mm). A CC foi medida na cintura natural, ou seja, entre as costelas inferiores
e as cristas ilíacas; com a leitura feita no momento da expiração, e realizou-se no
milímetro mais próximo. A CQ foi verificada no nível da sínfise púbica com a fita
circundando o quadril na parte mais saliente entre a cintura e a coxa. A razão
cintura/quadril e a CC foram utilizadas como prognóstico de determinação para
risco de doença coronariana e cardiovascular (13).
REVISTA DE SALUD PÚBLICA · Volumen 11(6), Diciembre 2009
Análise Estatística
Os resultados obtidos foram organizados com o auxílio do Software SPSS (Sta-
tistical Package for the Social Sciences) versão 10.0. Para a descrição das variáveis
contínuas utilizou-se a média aritmética, com seu respectivo desvio-padrão, e
para as variáveis categóricas, a freqüência absoluta e percentual.
RESULTADOS
Em relação à caracterização dos idosos, a maioria compreendia mulheres (94,0
%), com idades entre 60 e 69 anos (55,5 %) e casadas (35,9 %), conforme pode
ser visto na Tabela 1.
Tabela 1. Distribuição dos idosos segundo as variáveis
sóciodemográficas. João Pessoa/PB, Brasil, 2007
Quando investigados sobre o uso do tabaco, apenas 4,3 % dos idosos
informaram possuir este hábito. Em relação ao uso do álcool, 9,4 % relataram
utilizá-lo. A prática regular de atividade física foi descrita por 43,6 % dos idosos
(Tabela 2).
Em relação ao estado de saúde, 78,6 % dos idosos relataram utilizar algum
tipo de medicamento e 82,1 % afirmaram possuir alguma doença crônica não-
transmissível. Dentre aqueles que relataram ser portadores, a maioria (37,6 %)
informou ter uma única patologia crônica não-transmissível.
Alayón - Complicaciones crónicas
Leite - Doenças crônicas
871
Tabela 2. Distribuição dos idosos segundo os hábitos de tabagismo,
ingestão de álcool e prática de atividade física
João Pessoa/PB, Brasil, 2007
Tabela 3. Distribuição dos idosos segundo o uso de medicamentos,
presença e número de doenças crônicas não-transmissíveis existentes
João Pessoa/PB, Brasil, 2007
Em relação ao tipo de doença crônica não-transmissível existente, as mais
recorrentes foram a hipertensão arterial (56,4 %), seguida de dislipidemias (33,3 %)
e Diabetes mellitus (20,5 %), conforme demonstrado na Tabela 4.
Tabela 4. Distribuição dos idosos segundo o tipo de doença crônica
não-transmissível existente. João Pessoa/PB, Brasil, 2007
(1)
Podia ser registrado mais de 1 tipo de doença crônica.
REVISTA DE SALUD PÚBLICA · Volumen 11(6), Diciembre 2009
Em relação ao peso e à estatura da amostra, observou-se que o peso médio
dos idosos foi de 69,3kg, enquanto a estatura foi de 1,49 metros. Quanto ao IMC,
a média foi de 30,98kg/m2, sendo a circunferência de cintura de 99,08cm e a
circunferência de quadril de 105,69cm. O RCQ foi de 0,93 (Tabela 5).
Tabela 5. Características antropométricas dos idosos
João Pessoa/PB, Brasil, 2007
Segundo a classificação do IMC, 46,2 % dos idosos apresentavam sobrepeso
e 40,2 % obesidade grau I. Em relação ao RCQ, 97,4 % dos mesmos foram
classificados como obesos abdominais, com risco muito alto para desenvolvimento
de doenças cardiovasculares, conforme demonstrado na Tabela 6.
Tabela 6. Distribuição dos idosos segundo a classificação do IMC e da RCQ
João Pessoa, 2007
DISCUSSÃO
A escolha dos Centros de Referência de Cidadania para a coleta dos dados
deveu-se ao fato de que os mesmos se constituem em unidades de atendimento
a população, incluindo a população idosa do município de João Pessoa e que
estão envolvidos em ações que possibilitam e estimulam a participação popular.
São espaços que realizam as atividades dos programas sociais em execução e a
mobilização comunitária para o exercício da cidadania ativa. Portanto, os resultados
aqui descritos descrevem a prevalência de doenças crônicas e o estado nutricional
de um grupo específico de idosos.
Alayón - Complicaciones crónicas
Leite - Doenças crônicas
873
A análise da distribuição dos idosos segundo o sexo revelou que a maior parte
era composta por idosas do sexo feminino, semelhante ao verificado por outros
pesquisadores no Brasil (3,14) e na Colômbia (15). Outra importante consideração
deve-se ao fato de que como o estudo foi realizado em Centros de Referência é
possível que esta predominância das mulheres seja devido ao fato de que há uma
maior procura das mesmas pelo serviço. O contingente feminino aumenta de
maneira mais expressiva que o masculino, pois as mulheres vivem, em média,
oito anos a mais que os homens (16).
Corroborando estudos prévios (17,18), verificou-se predomínio de uma
população idosa “jovem” no Brasil, situada na faixa de 60 a 69 anos, aspecto que
influencia o seu perfil de saúde, visto que pessoas muito idosas são geralmente
mais frágeis e demandam serviços de maior complexidade (19).
Em relação aos hábitos de vida, apenas 4,3 % dos idosos afirmaram ser
fumantes, enquanto que em relação ao consumo de álcool menos de 10% da
amostra relataram a ingestão desta substância. O tabagismo é a principal causa
de mortalidade em todo o mundo (20).
A maioria dos idosos deste estudo relatou não praticar nenhum tipo de atividade
física. É cediço que a prática de atividade física regular diminui o risco de
desenvolver doenças crônicas não-transmissíveis, além de produzir um bem-
estar físico e mental (21). Deste modo, as pessoas podem manter-se saudáveis
depois dos 70, 80 e 90 anos se tiverem uma alimentação equilibrada, mantiverem
uma prática regular de atividade física e não fumarem (22).
O uso de medicamentos foi bastante elevado, com um percentual da amostra
utilizando 3 ou mais medicamentos simultaneamente. Os idosos costumam utilizar
muito mais medicamentos do que pessoas de outra faixa etária; assim, estão
mais propensos a sofrer seus efeitos adversos, incluindo as interações
medicamento-alimento (23,24).
Quando questionados sobre a presença de alguma doença crônica não-
transmissível, 82,1 % afirmaram ter ao menos uma doença crônica, corroborando
achados prévios (25,26), sendo que 37,6 % relataram possuir uma única doença
crônica não-transmissível. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística inquéritos populacionais realizados no país demonstram que a maioria
dos idosos (80 %) apresenta pelo menos uma doença crônica, e uma significativa
parcela, 33%, três ou mais agravos (27).
REVISTA DE SALUD PÚBLICA · Volumen 11(6), Diciembre 2009
Os dados deste estudo são sugestivos da influência do excesso de peso como
fator de risco para a hipertensão, pois mais de 56 % da amostra possuíam esta
condição. Corroborando estes achados a literatura revela associação entre o
excesso ponderal e o nível de pressão arterial aumentado (28,29). Portanto, a
influência adversa que a obesidade exerce em relação à pressão arterial, ao
metabolismo da glicose e lipídeos sanguíneos pode levar ao aparecimento de
desordens crônicas nas diversas fases da vida (6,30,31,32). Desta forma os dados
encontrados nesse estudo, alertam para esse potencial problema.
Outra variável de fundamental importância para conhecer o perfil nutricional
de uma população diz respeito ao IMC. Problemas nutricionais estão associados
ao aumento da morbidade e mortalidade e com impacto negativo na qualidade de
vida entre idosos. Vários pesquisadores têm sugerido a utilização do IMC em
estudos para investigar a relação entre sobrepeso e baixo peso com o risco de
mortalidade (33).
Na população estudada, a elevada prevalência de sobrepeso e de obesidade,
com valores médios de IMC de 30,98±3,32 kg/m2, constitui-se fator de risco
para a saúde destes idosos, uma vez que valores elevados de IMC podem estar
associados a altas taxas de morbidade e mortalidade e uma pior qualidade de
vida (34), estando, portanto, em concordância com achados prévios (7,35). Deste
modo, idosos com IMC elevado estão mais propensos a apresentarem uma
freqüência maior de doenças crônicas não-transmissíveis (15).
O perfil nutricional dos idosos brasileiros a partir dos dados da Pesquisa Nacional
sobre Saúde e Nutrição - PNSN/1989 revelou uma prevalência de sobrepeso, o
que vem sendo demonstrado em diferentes estudos onde a desnutrição, o sobrepeso
e a obesidade predominam sobre os indivíduos eutróficos (6).
A razão cintura/quadril tem sido usada em estudos populacionais como preditora
dos riscos de doenças cardiovasculares (36). Os resultados de RCQ
demonstraram-se elevados na quase totalidades dos indivíduos estudados, sendo
que os valores médios encontrados foram de 0,97±0,10 cm e 0,93±0,07 cm para
homens e mulheres, respectivamente. Esses dados sugerem uma alta predisposição
desta população a desenvolver doenças crônico não-transmissíveis, visto que o
acúmulo de gordura na região abdominal apresenta estreitas relações com doenças
cardiovasculares (7).
Quanto à CC, os valores médios encontrados para ambos os sexos foram
acima do recomendado (13). A obesidade e, particularmente, a localização ab-
Alayón - Complicaciones crónicas
Leite - Doenças crônicas
875
dominal de gordura tem grande impacto sobre as doenças cardiovasculares por
associarem-se com grande freqüência a condições tais como dislipidemias,
hipertensão arterial, resistência à insulina e diabetes, que favorecem a ocorrência
de eventos cardiovasculares, particularmente os coronarianos. Independentemente
do sobrepeso, a gordura abdominal é importante fator de risco para essas condições
(37,38,39).
Uma questão importante abordada sobre obesidade, e que merece atenção,
diz respeito ao direcionamento da informação: excesso de peso é sempre danoso
à saúde. A detecção precoce de eventual alteração do estado nutricional de uma
população é essencial para o desenvolvimento de trabalhos preventivos ou de
intervenção terapêutica, evitando o desenvolvimento de doenças no futuro.
Considerando-se que a estruturação das políticas públicas de saúde deve
estar fundamentada no diagnóstico de problemas específicos, espera-se que os
resultados do presente estudo possam subsidiar programas de promoção,
prevenção e atenção ao idoso. Por meio de esforços conjuntos pode-se empenhar
numa luta pela diminuição do impacto da desigualdade social e pelo direito de
todos ao acesso a melhores condições de vida e saúde, de modo a se garantir um
envelhecimento saudável.
A despeito da importância dos achados uma vez que se constitui na primeira
caracterização da população acima de 60 anos, é relevante destacar algumas
limitações deste estudo. A principal e mais importante limitação é o fato de a
pesquisa ter sido feita em centros de referência, de modo que apenas aqueles
idosos que estavam cadastrados foram examinados, não possibilitando extrapolar
os resultados para toda a população idosa do município de João Pessoa. Outro
aspecto se reporta à seleção dos sujeitos pesquisados que foi uma amostragem
do tipo não probabilística. Esse tipo de amostragem oferece boas estimativas
sobre os parâmetros da população, mas não permite fazer inferências/
generalizações sobre toda a população.
A partir dos resultados obtidos, sugere-se que estudos semelhantes sejam
realizados periodicamente, em diversas cidades brasileiras e também em outros
países, objetivando conhecer o estado nutricional da população idosa, para que
se possa intervir na prevenção de enfermidades e, consequentemente, na melhoria
da qualidade de vida desses indivíduos.
Os dados apresentados conferem à população estudada atenção especial,
principalmente para o controle do ganho de peso excessivo como fator de risco
REVISTA DE SALUD PÚBLICA · Volumen 11(6), Diciembre 2009
ou como conseqüência relativa às doenças crônicas não transmissíveis que podem
acarretar um grande impacto no estado nutricional. Por se tratar de um grupo
etário em rápido crescimento, as condições de saúde e nutricionais dos idosos
são imprescindíveis para o estabelecimento de ações mais efetivas no controle e/
ou prevenção dos fatores relacionados à saúde na terceira idade que resultam do
estilo de vida, principalmente em idosos considerados jovens
nutricional em um grupo de idosos
brasileiros
The prevalence of chronic disease in a group of elderly Brazilian
people and their nutritional status
Christiane Leite-Cavalcanti1, Maria da Conceição Rodrigues-Gonçalves1,
Luiza Sonia Rios-Asciutti1 e Alessandro Leite-Cavalcanti2
1 Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, Paraíba, Brasil. chris_tiane2006@hotmail.com;
raulceica@ig.com.br; luiza.asciutti@terra.com.br.
2 Universidade Estadual da Paraíba, Campina Grande, Paraíba, Brasil. dralessandro@ibest.com.br
Recebido em 4 Maio 2009/Enviado para Modificação em 7 Novembro 2009/Aprovado em 15 Novembro 2009
RESUMO
Objetivo Avaliar a prevalência de doenças crônicas e o estado nutricional de um
grupo de idosos do município de João Pessoa, PB, Brasil.
Método Foram avaliados 117 idosos com idades entre 60 e 89 anos atendidos nos
Centros de Referência e Cidadania. O instrumento de pesquisa compreendeu um
questionário e incluía variáveis sócio-demográficas, sócio-econômicas,
comportamentos relacionados à saúde e antropométricas. Os resultados foram
organizados com o Software SPSS, sendo apresentados por meio da estatística
descritiva (média e desvio-padrão, freqüências absoluta e percentual).
Resultados Em relação ao uso do tabaco e do álcool, 4,3 % e 9,4 %, respectivamente,
afirmaram fazer uso destas substâncias e 56,4 % reportaram não praticar atividade
física. Da amostra, 78,6 % utilizam medicamentos e 82,1 % afirmaram possuir alguma
doença crônica não-transmissível, sendo mais freqüentes a hipertensão arterial
(56,4 %), as dislipidemias (33,3 %) e o diabetes mellitus (20,5 %). Segundo a
classificação do IMC, 46,2 % apresentavam sobrepeso e 40,2 % obesidade grau,
enquanto em relação ao RCQ, 97,4 % foram classificados como obesos abdominais.
Conclusão A prevalência de doenças crônicas foi elevada, principalmente a hipertensão
arterial, com a maioria dos idosos sendo classificados como obesos abdominais,
com risco muito alto para desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
Palavras-Chave: Avaliação nutricional, Saúde do idoso institucionalizado, Sobrepeso,
Obesidade (fonte: DeCS, BIREME).
ABSTRACT
Objective Evaluating the prevalence of chronic disease in a group of elderly people
living in the city of João Pessoa, PB, Brazil and their nutritional status.
Method 117 subjects aged 60 to 89 attending local Reference and Citizenship Cen-
tres were evaluated. The research instrument used was a questionnaire addressing
865
REVISTA DE SALUD PÚBLICA · Volumen 11(6), Diciembre 2009
socio-demographic, socioeconomic and anthropometric variables and health-related
behaviour. The data so collected was organised using SPSS statistical software and
presented via descriptive statistics (mean and standard deviation, and absolute and
percentage frequencies).
Results 4.3 % and 9.4 % of the subjects admitted using tobacco and alcohol, respec-
tively. 56.4 % did not engage in any physical activity. As many as 78.6 % used medica-
tions and 82.1 % admitted to suffering from some non-transmissible chronic disease,
the most frequent being hypertension (56.4 %), dyslipidaemia (33.3 %) and diabetes
mellitus (20.5 %). According to body mass index (BMI) classification, 46.2 % were
overweight and 40.2 % presented degree I obesity. Regarding the waist-to-hip ratio
(WHR), abdominal obesity was diagnosed in 97.4 % of the elderly in the study.
Conclusion The prevalence of chronic disease, especially hypertension, was high in
the studied population. Most institutionalised elderly were classified as suffering from
abdominal obesity, representing an extremely high risk of developing cardiovascular
disease.
Key Words: Nutritional assessment, health services for the institutionalised elderly,
overweight, obesity (source: MeSH, NLM).
RESUMEN
Prevalencia de enfermedades crónicas y estado nutricional en un grupo de personas de
edad avanzada, de Brasil
Objetivo Evaluar la prevalencia de enfermedades crónicas y el estado nutricional de grupo de
personas de edad avanzad, del muncipio João Pessoa, PB, Brasil.
Método Se evaluaron 117 personas con edades entre 60 y 89 años, atendidos en los Centros de
Referencia y Ciudadanía. Se utilizó un cuestionario que incluía variables socio-demográficas,
socio-económicas, comportamientos relacionados con las salud y antropométricas. Los resultados
fueron organizados con el software SPSS y se presentaron por medio de estadísticas descriptivas
(frecuencias absolutas y proporcionales, medias y desviaciones).
Resultados En relación con el consumo de tabaco y del alcohol, 4,3 y 9,4 % respectivamente
afirmaron utilizar estas sustancias y 56,4 % reportaron no hacer actividad física. Del total, 78,6 %
utilizan medicamentos y 82,1% afirmaron tener alguna enfermedad crónica no transmisible, más
frecuentes la hipertensión arterial (56,4 %), las dislipidemias (33,3 %) y la Diabetes mellitus (20,5
%). Con la clasificación del IMC, 46,2 % presentaron sobrepeso y 40,2 % obesidad, mientras que
en relación con RCQ, 97,4 % fueron clasificados como obesos abdominales.
Conclusiones La prevalencia de enfermedades crónicas fue elevada, principalmente la
hipertensión arterial, con la mayoría de quienes la presentaron clasificados como obesos
abdominales, con alto riesgo de desarrollo de enfermedades cardiovasculares.
Palabras Clave: Evaluación nutricional, salud del anciano institucionalizado, sobrepeso, obesidad
(fuente: DeCS, BIREME).
Alayón - Complicaciones crónicas
Leite - Doenças crônicas
867
O
envelhecimento da população é um fenômeno de amplitude mundial, posto
que a World Health Organization (WHO) prevê que em 2025 existirão 1,2
bilhões de pessoas com mais de 60 anos, sendo que os muito idosos (com
80 ou mais anos) constituem o grupo etário de maior crescimento (1).
Todavia, esse processo ganha maior importância nos países em desenvolvimento,
com o crescimento acelerado da população de sessenta anos e mais em relação
à população geral. Aumentos de até 300% da população idosa são esperados
nesses países, especialmente nos que integram a América Latina (2). No Brasil,
o aumento da população idosa vem ocorrendo de forma muito rápida, sem a
correspondente modificação nas condições de vida (3).
São considerados idosos, nos países em desenvolvimento, os indivíduos com
faixa etária igual ou superior a 60 anos de idade enquanto que nos países
desenvolvidos o recorte etário é de 65 anos. Em relação ao Brasil, a Lei de n°
8.842/94, em seu artigo 2º, parágrafo único, refere que “são consideradas idosas
as pessoas maiores de 60 anos, de ambos os gêneros, sem distinção de cor, etnia
e ideologia” (4).
Vários são os meios de melhorar a qualidade de vida daqueles que estão no
processo de envelhecer, dentre os quais se inclui o desenvolvimento de programas
de saúde. Esses programas de saúde, que têm como base à comunidade e que
implicam promoção da saúde do idoso, devem ter a nutrição como uma das
áreas prioritárias (3).
A condição de nutrição é aspecto importante nesse contexto, visto que os
idosos apresentam condições peculiares que comprometem seu estado nutricional.
Alguns desses condicionantes ocorrem devido às alterações fisiológicas do próprio
envelhecimento, enquanto outros são acarretados pelas enfermidades presentes,
pelas práticas ao longo da vida (fumo, dieta, atividade física) e situação
socioeconômica (5,6).
A manutenção de um estado nutricional adequado é muito importante, pois, de
um lado, encontra-se o baixo-peso, que aumenta o risco de infecções e mortalidade,
e do outro o sobrepeso, que aumenta o risco de Doenças Crônicas Não-
Transmissíveis (DCNT), como hipertensão, diabetes mellitus e hiperlipidemias (7).
Com o fenômeno de envelhecimento populacional, aumenta, cada vez mais,
a necessidade de conhecimento dos fatores que incidem sobre a prevalência das
DCNT associadas à idade. Um exemplo disso é que taxas elevadas de sobrepeso
REVISTA DE SALUD PÚBLICA · Volumen 11(6), Diciembre 2009
e obesidade em todas as faixas etárias, incluindo os idosos, atingindo os dois
gêneros, estão sendo observadas no mundo inteiro (8).
O processo de envelhecimento populacional vem-se constituindo num dos
maiores desafios para a saúde pública contemporânea, principalmente nos países
onde esse fenômeno tem ocorrido em situações de pobreza e grande desigualdade
social (9). O delineamento de políticas específicas para pessoas idosas vem
sendo apontado como altamente necessário, sendo imprescindível o conhecimento
das necessidades e condições de vida desse grupo etário (10).
Com o aumento de pessoas acima dos 60 anos de idade, eleva-se a necessidade
de estudos que investiguem os comportamentos relacionados à saúde e o estado
nutricional para que as propostas de políticas de saúde causem impacto na qualidade
de vida desta população. Portanto, objetivando oferecer subsídios para o
planejamento local de ações de saúde, o presente estudo avaliou a prevalência
de doenças crônicas e o estado nutricional em um grupo de idosos do município
de João Pessoa, PB, Brasil.
METODOLOGIA
A pesquisa foi realizada em João Pessoa, capital do Estado da Paraíba, localizada
na região nordeste do Brasil. O município possui uma população de mais de 700 mil
habitantes e um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,78.
Local do estudo
Esse estudo epidemiológico e transversal foi realizado nos Centros de Referência
e Cidadania (CRC), pertencentes à Secretaria do Desenvolvimento Social (SEDES),
da Prefeitura do Município de João Pessoa, PB. Esses centros constituem-se em
espaços privilegiados voltados à valorização dos idosos, com o desenvolvimento de
atividades de lazer, trabalhos manuais, noções de saúde e o exercício da cidadania.
Existem dez centros, distribuídos em diferentes bairros do Município, dos quais
nove foram incluídos na pesquisa.
População estudada
De um total de 224 idosos de ambos os gêneros, com idade entre 60 a 87 anos, 117
(52,2%) concordaram em participar da pesquisa, sendo a amostra do tipo não
probabilística.
Foram excluídos do estudo os idosos que apresentavam alterações de ordem
neurológica que os impossibilitassem de compreender os objetivos do estudo e/ou
alterações físicas que impossibilitassem a verificação das medidas antropométricas.
Leite - Doenças crônicas
Alayón - Complicaciones crónicas
869
Esta pesquisa foi norteada segundo a Resolução 196/96 do Conselho Nacional
de Saúde do Brasil e segue os princípios da Declaração de Helsinque, sendo
aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da
Universidade Federal da Paraíba – CEP/CCS, sob o nº 680/06.
Instrumento de Pesquisa e Variáveis
Para a caracterização dos idosos, o instrumento de pesquisa compreendeu um
questionário individual e incluíam as seguintes variáveis: características sócio-
demográficas (gênero, idade e estado civil), comportamentos relacionados à saúde
(ingestão de bebida alcoólica, hábito de tabagismo, prática de atividade física, uso
de medicamentos, presença e número de doenças crônicas) e antropométricas
(peso, estatura, circunferência da cintura e do quadril).
Avaliação Antropométrica
A coleta de dados foi realizada no período de março a maio de 2007, nos próprios
centros onde os idosos eram cadastrados, por um único pesquisador. A avaliação
antropométrica foi feita a partir da obtenção das medidas de peso, altura e
circunferências de cintura e de quadril (11).
O peso foi verificado utilizando-se uma balança digital (Tech Line TEC-130,
capacidade para 136 kg e intervalo de 100 g), com o indivíduo descalço e, com
roupas leves. A estatura foi verificada usando-se estadiômetro (Sanny ES 2040,
tipo trena com 220 cm) com o indivíduo ereto e com os calcanhares alinhados.
Foi utilizado o Índice de Massa Corpórea (IMC) considerando-se a razão peso
atual (kg)/quadrado da estatura (m²), baseando-se nos pontos de corte previamente
descritos na literatura (12).
As circunferências da cintura (CC) e do quadril (CQ) foram verificadas com
o auxílio de uma Fita de Medidas Antropométricas, (Sanny, com 200cm, divisão
de 1 mm). A CC foi medida na cintura natural, ou seja, entre as costelas inferiores
e as cristas ilíacas; com a leitura feita no momento da expiração, e realizou-se no
milímetro mais próximo. A CQ foi verificada no nível da sínfise púbica com a fita
circundando o quadril na parte mais saliente entre a cintura e a coxa. A razão
cintura/quadril e a CC foram utilizadas como prognóstico de determinação para
risco de doença coronariana e cardiovascular (13).
REVISTA DE SALUD PÚBLICA · Volumen 11(6), Diciembre 2009
Análise Estatística
Os resultados obtidos foram organizados com o auxílio do Software SPSS (Sta-
tistical Package for the Social Sciences) versão 10.0. Para a descrição das variáveis
contínuas utilizou-se a média aritmética, com seu respectivo desvio-padrão, e
para as variáveis categóricas, a freqüência absoluta e percentual.
RESULTADOS
Em relação à caracterização dos idosos, a maioria compreendia mulheres (94,0
%), com idades entre 60 e 69 anos (55,5 %) e casadas (35,9 %), conforme pode
ser visto na Tabela 1.
Tabela 1. Distribuição dos idosos segundo as variáveis
sóciodemográficas. João Pessoa/PB, Brasil, 2007
Quando investigados sobre o uso do tabaco, apenas 4,3 % dos idosos
informaram possuir este hábito. Em relação ao uso do álcool, 9,4 % relataram
utilizá-lo. A prática regular de atividade física foi descrita por 43,6 % dos idosos
(Tabela 2).
Em relação ao estado de saúde, 78,6 % dos idosos relataram utilizar algum
tipo de medicamento e 82,1 % afirmaram possuir alguma doença crônica não-
transmissível. Dentre aqueles que relataram ser portadores, a maioria (37,6 %)
informou ter uma única patologia crônica não-transmissível.
Alayón - Complicaciones crónicas
Leite - Doenças crônicas
871
Tabela 2. Distribuição dos idosos segundo os hábitos de tabagismo,
ingestão de álcool e prática de atividade física
João Pessoa/PB, Brasil, 2007
Tabela 3. Distribuição dos idosos segundo o uso de medicamentos,
presença e número de doenças crônicas não-transmissíveis existentes
João Pessoa/PB, Brasil, 2007
Em relação ao tipo de doença crônica não-transmissível existente, as mais
recorrentes foram a hipertensão arterial (56,4 %), seguida de dislipidemias (33,3 %)
e Diabetes mellitus (20,5 %), conforme demonstrado na Tabela 4.
Tabela 4. Distribuição dos idosos segundo o tipo de doença crônica
não-transmissível existente. João Pessoa/PB, Brasil, 2007
(1)
Podia ser registrado mais de 1 tipo de doença crônica.
REVISTA DE SALUD PÚBLICA · Volumen 11(6), Diciembre 2009
Em relação ao peso e à estatura da amostra, observou-se que o peso médio
dos idosos foi de 69,3kg, enquanto a estatura foi de 1,49 metros. Quanto ao IMC,
a média foi de 30,98kg/m2, sendo a circunferência de cintura de 99,08cm e a
circunferência de quadril de 105,69cm. O RCQ foi de 0,93 (Tabela 5).
Tabela 5. Características antropométricas dos idosos
João Pessoa/PB, Brasil, 2007
Segundo a classificação do IMC, 46,2 % dos idosos apresentavam sobrepeso
e 40,2 % obesidade grau I. Em relação ao RCQ, 97,4 % dos mesmos foram
classificados como obesos abdominais, com risco muito alto para desenvolvimento
de doenças cardiovasculares, conforme demonstrado na Tabela 6.
Tabela 6. Distribuição dos idosos segundo a classificação do IMC e da RCQ
João Pessoa, 2007
DISCUSSÃO
A escolha dos Centros de Referência de Cidadania para a coleta dos dados
deveu-se ao fato de que os mesmos se constituem em unidades de atendimento
a população, incluindo a população idosa do município de João Pessoa e que
estão envolvidos em ações que possibilitam e estimulam a participação popular.
São espaços que realizam as atividades dos programas sociais em execução e a
mobilização comunitária para o exercício da cidadania ativa. Portanto, os resultados
aqui descritos descrevem a prevalência de doenças crônicas e o estado nutricional
de um grupo específico de idosos.
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A análise da distribuição dos idosos segundo o sexo revelou que a maior parte
era composta por idosas do sexo feminino, semelhante ao verificado por outros
pesquisadores no Brasil (3,14) e na Colômbia (15). Outra importante consideração
deve-se ao fato de que como o estudo foi realizado em Centros de Referência é
possível que esta predominância das mulheres seja devido ao fato de que há uma
maior procura das mesmas pelo serviço. O contingente feminino aumenta de
maneira mais expressiva que o masculino, pois as mulheres vivem, em média,
oito anos a mais que os homens (16).
Corroborando estudos prévios (17,18), verificou-se predomínio de uma
população idosa “jovem” no Brasil, situada na faixa de 60 a 69 anos, aspecto que
influencia o seu perfil de saúde, visto que pessoas muito idosas são geralmente
mais frágeis e demandam serviços de maior complexidade (19).
Em relação aos hábitos de vida, apenas 4,3 % dos idosos afirmaram ser
fumantes, enquanto que em relação ao consumo de álcool menos de 10% da
amostra relataram a ingestão desta substância. O tabagismo é a principal causa
de mortalidade em todo o mundo (20).
A maioria dos idosos deste estudo relatou não praticar nenhum tipo de atividade
física. É cediço que a prática de atividade física regular diminui o risco de
desenvolver doenças crônicas não-transmissíveis, além de produzir um bem-
estar físico e mental (21). Deste modo, as pessoas podem manter-se saudáveis
depois dos 70, 80 e 90 anos se tiverem uma alimentação equilibrada, mantiverem
uma prática regular de atividade física e não fumarem (22).
O uso de medicamentos foi bastante elevado, com um percentual da amostra
utilizando 3 ou mais medicamentos simultaneamente. Os idosos costumam utilizar
muito mais medicamentos do que pessoas de outra faixa etária; assim, estão
mais propensos a sofrer seus efeitos adversos, incluindo as interações
medicamento-alimento (23,24).
Quando questionados sobre a presença de alguma doença crônica não-
transmissível, 82,1 % afirmaram ter ao menos uma doença crônica, corroborando
achados prévios (25,26), sendo que 37,6 % relataram possuir uma única doença
crônica não-transmissível. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística inquéritos populacionais realizados no país demonstram que a maioria
dos idosos (80 %) apresenta pelo menos uma doença crônica, e uma significativa
parcela, 33%, três ou mais agravos (27).
REVISTA DE SALUD PÚBLICA · Volumen 11(6), Diciembre 2009
Os dados deste estudo são sugestivos da influência do excesso de peso como
fator de risco para a hipertensão, pois mais de 56 % da amostra possuíam esta
condição. Corroborando estes achados a literatura revela associação entre o
excesso ponderal e o nível de pressão arterial aumentado (28,29). Portanto, a
influência adversa que a obesidade exerce em relação à pressão arterial, ao
metabolismo da glicose e lipídeos sanguíneos pode levar ao aparecimento de
desordens crônicas nas diversas fases da vida (6,30,31,32). Desta forma os dados
encontrados nesse estudo, alertam para esse potencial problema.
Outra variável de fundamental importância para conhecer o perfil nutricional
de uma população diz respeito ao IMC. Problemas nutricionais estão associados
ao aumento da morbidade e mortalidade e com impacto negativo na qualidade de
vida entre idosos. Vários pesquisadores têm sugerido a utilização do IMC em
estudos para investigar a relação entre sobrepeso e baixo peso com o risco de
mortalidade (33).
Na população estudada, a elevada prevalência de sobrepeso e de obesidade,
com valores médios de IMC de 30,98±3,32 kg/m2, constitui-se fator de risco
para a saúde destes idosos, uma vez que valores elevados de IMC podem estar
associados a altas taxas de morbidade e mortalidade e uma pior qualidade de
vida (34), estando, portanto, em concordância com achados prévios (7,35). Deste
modo, idosos com IMC elevado estão mais propensos a apresentarem uma
freqüência maior de doenças crônicas não-transmissíveis (15).
O perfil nutricional dos idosos brasileiros a partir dos dados da Pesquisa Nacional
sobre Saúde e Nutrição - PNSN/1989 revelou uma prevalência de sobrepeso, o
que vem sendo demonstrado em diferentes estudos onde a desnutrição, o sobrepeso
e a obesidade predominam sobre os indivíduos eutróficos (6).
A razão cintura/quadril tem sido usada em estudos populacionais como preditora
dos riscos de doenças cardiovasculares (36). Os resultados de RCQ
demonstraram-se elevados na quase totalidades dos indivíduos estudados, sendo
que os valores médios encontrados foram de 0,97±0,10 cm e 0,93±0,07 cm para
homens e mulheres, respectivamente. Esses dados sugerem uma alta predisposição
desta população a desenvolver doenças crônico não-transmissíveis, visto que o
acúmulo de gordura na região abdominal apresenta estreitas relações com doenças
cardiovasculares (7).
Quanto à CC, os valores médios encontrados para ambos os sexos foram
acima do recomendado (13). A obesidade e, particularmente, a localização ab-
Alayón - Complicaciones crónicas
Leite - Doenças crônicas
875
dominal de gordura tem grande impacto sobre as doenças cardiovasculares por
associarem-se com grande freqüência a condições tais como dislipidemias,
hipertensão arterial, resistência à insulina e diabetes, que favorecem a ocorrência
de eventos cardiovasculares, particularmente os coronarianos. Independentemente
do sobrepeso, a gordura abdominal é importante fator de risco para essas condições
(37,38,39).
Uma questão importante abordada sobre obesidade, e que merece atenção,
diz respeito ao direcionamento da informação: excesso de peso é sempre danoso
à saúde. A detecção precoce de eventual alteração do estado nutricional de uma
população é essencial para o desenvolvimento de trabalhos preventivos ou de
intervenção terapêutica, evitando o desenvolvimento de doenças no futuro.
Considerando-se que a estruturação das políticas públicas de saúde deve
estar fundamentada no diagnóstico de problemas específicos, espera-se que os
resultados do presente estudo possam subsidiar programas de promoção,
prevenção e atenção ao idoso. Por meio de esforços conjuntos pode-se empenhar
numa luta pela diminuição do impacto da desigualdade social e pelo direito de
todos ao acesso a melhores condições de vida e saúde, de modo a se garantir um
envelhecimento saudável.
A despeito da importância dos achados uma vez que se constitui na primeira
caracterização da população acima de 60 anos, é relevante destacar algumas
limitações deste estudo. A principal e mais importante limitação é o fato de a
pesquisa ter sido feita em centros de referência, de modo que apenas aqueles
idosos que estavam cadastrados foram examinados, não possibilitando extrapolar
os resultados para toda a população idosa do município de João Pessoa. Outro
aspecto se reporta à seleção dos sujeitos pesquisados que foi uma amostragem
do tipo não probabilística. Esse tipo de amostragem oferece boas estimativas
sobre os parâmetros da população, mas não permite fazer inferências/
generalizações sobre toda a população.
A partir dos resultados obtidos, sugere-se que estudos semelhantes sejam
realizados periodicamente, em diversas cidades brasileiras e também em outros
países, objetivando conhecer o estado nutricional da população idosa, para que
se possa intervir na prevenção de enfermidades e, consequentemente, na melhoria
da qualidade de vida desses indivíduos.
Os dados apresentados conferem à população estudada atenção especial,
principalmente para o controle do ganho de peso excessivo como fator de risco
REVISTA DE SALUD PÚBLICA · Volumen 11(6), Diciembre 2009
ou como conseqüência relativa às doenças crônicas não transmissíveis que podem
acarretar um grande impacto no estado nutricional. Por se tratar de um grupo
etário em rápido crescimento, as condições de saúde e nutricionais dos idosos
são imprescindíveis para o estabelecimento de ações mais efetivas no controle e/
ou prevenção dos fatores relacionados à saúde na terceira idade que resultam do
estilo de vida, principalmente em idosos considerados jovens
Nurição em Foco (NeF) : Quais as carências nutricionais são mais freqüentes no idoso?
Karine Anusca Martins (K.A.M): Os idosos pertencem a um grupo diversificado, com capacidades e níveis de funcionamento amplamente variados. Em função do processo de envelhecimento há um
declínio do funcionamento normal de seus órgãos, especialmente naqueles mais de
idade.
Geralmente, nos idosos as principais carências nutricionais são de
micronutrientes como os minerais: cálcio, ferro, zinco, ácido fólico e cobre, e vitaminas do complexo B, principalmente, a vitamina B12, ainda entre as hidrossolúveis, a vitamina C, e outras lipossolúveis, como a vitamina A, por exemplo, em função da redução da superfície de absorção conseqüente às mudanças fisiológicas esperadas com
o processo de envelhecimento normal (senescência).
É importante ressaltar também que
há uma redução da síntese protéica, comprometendo também o seu estado nutricional,
sendo assim, existem carências não somente de micronutrientes, mas também de
macronutrientes.
NeF: Quais a necessidades energéticas do idoso?
K.A.M: As necessidades energéticas do idoso geralmente diminuem com a idade em
função das alterações na composição corporal, da diminuição da taxa metabólica basal e
da redução na atividade física. O conhecimento destas necessidades dos idosos é
essencial para a promoção da saúde.
Os valores sugeridos para os macronutrientes (proteínas, glicídios, lipídios e
fibras) têm como base os níveis recomendados por gramas e/ou por percentuais em
relação ao valor energético total. O percentual de distribuição de macronutrientes são
determinados como base no intervalo de distribuição aceitável dos macronutrientes
(Acceptable macronutrient distribuition range – AMDR), preconizado pelo Institute of
Medicine (2002).
Sendo assim, as diretrizes atuais recomendam que 45-65% das calorias diárias
totais sejam consumidas na forma de glicídios (carboidratos) e que as fibras totais
devem somar em torno de 25-30g/dia, sendo 10-13g/1000Kcal.
Em relação aos lipídios (gorduras) preconiza-se um percentual de ingestão
referente ao valor energético total da dieta entre 15-30%, com menos de 10% de ácidos
graxos saturados, entre 6-10% de ácidos graxos poliinsaturados, devendo ser de 5-8%
de ácidos graxos ômega-6, entre 1-2% de ácidos graxos ômega-3 e o percentual de
monoinsaturados por diferença. Admite-se o uso de 35% do valor energético total da
dieta na forma de lipídios para idosos saudáveis e fisicamente ativos.
No que se refere às proteínas, a AMDR foi estabelecida para complementar os
100% relativos aos valores de glicídios e lipídios, situando-se entre os valores de 10 a
35% do valor energético total. É importante observar que os valores máximos de
proteínas são elevados quando comparados ao intervalo de referência preconizado
anteriormente (10 a 15%), entretanto, se considerarmos o uso adequado de valores de
carboidratos e lipídios nas dietas, conforme o preconizado, possivelmente os valores de
proteína da dieta também estarão de acordo com o recomendado. Além disso,
aconselha-se para o idoso saudável uma ingestão protéica de 0,9-1,1g/Kg/dia.
Para os micronutrientes, as recomendações modificam-se de acordo com a idade
devido às mudanças fisiológicas que são esperadas com o envelhecimento. Ainda falta
muita informação sobre as recomendações adequadas de vitaminas e minerais para os
idosos. Portanto, devemos avaliar o seu consumo alimentar e prescrever uma dieta
equilibrada sem esquecer de considerar cada micronutriente em sua peculiaridade.
NeF: Quais são as principais causas da desnutrição no idoso?
K.A.M: O envelhecimento é assinalado por uma perda progressiva de massa corpórea,
bem como pela mudança na maioria dos sistemas do organismo: sensorial,
gastrointestinal, metabólico, cardiovascular, renal, neurológico, psicossocial, musculoesquelético.
Todas essas modificações influenciam direta ou indiretamente no estado
nutricional do idoso, em especial, as modificações do trato gastrointestinal (TGI). Entre
os fatores que comprometem o estado nutricional dos idosos podemos citar:
- Redução da acuidade dos órgãos dos sentidos: alterações de visão, paladar,
olfato, audição e tato, que levam à perda do apetite, reduzindo a ingestão
energética necessária para manutenção de suas necessidades nutricionais.
- Alterações na cavidade bucal: ausência de dentes, próteses mal encaixadas,
doenças periodontais e redução da secreção salivar: diminuição do consumo de
alimentos mais duros tipo carnes, frutas e verduras cruas.
- Alterações gástricas e intestinais pela redução de movimentos peristálticos e da
secreção de ácido clorídrico (HCl), enzimas digestivas, fator intrínseco, sais
biliares: interferência na digestão, absorção e favorecimento da obstipação
intestinal
- Alterações metabólicas no pâncreas, fígado e rins, com dificuldades no processo
digestivo
- O uso prolongado de medicamentos, entre outros fatores.
NeF: Como tratar a anorexia no idoso?
K.A.M: A anorexia (definição: recusa em se alimentar) do idoso é produzida por
múltiplos fatores em resposta a uma redução na taxa metabólica e da atividade física,
que se manifesta com o envelhecimento. Os mecanismos responsáveis pelo seu
desenvolvimento ainda não estão completamente estabelecidos, entretanto, acabam
provocando um quadro de desnutrição grave, conhecido como caquexia, cujo
tratamento é difícil e o sucesso pequeno. Toda atenção e cuidado devem ser dispensados
aos idosos que estão com anorexia, para tentarmos adequar a sua ingestão energética às
suas necessidades.
Inicialmente, é importante conhecer a história clínica, realizar o exame físico,
incluindo a avaliação nutricional cuidadosa e verificar os dados laboratoriais
disponíveis/apropriados. A terapêutica nutricional adequada, nesses casos
principalmente, desempenha papel importante na promoção da saúde, prevenção da
doença e no cuidado geral. Além de um suporte nutricional, agressivo, tanto via enteral
como parenteral, várias drogas (hormônio do crescimento, megestrol,
“ciprohepatadine”, tetraidrocanabinol, esteróides anabolizantes e antidepressivos) têm
sido utilizadas na tentativa de tratar a anorexia do idoso. Em particular, nos casos de
demência, não existe ainda um consenso de qual seria o melhor suporte nutricional. Ao
que se sugere, a nutrição enteral, por meio de sonda naso-entérica, não resulta em
benefício ou melhora de qualidade de vida para tais paciente. Cada caso deve ser
avaliado individualmente, e buscar o atendimento de suas necessidades nutricionais
dependerá do empenho, dedicação e atenção fornecidos por você, enquanto
nutricionista, pelos demais profissionais da equipe multiprofissional, de forma conjunta
e dialogada, e com certeza, em parceria com membros da família do idoso; somente
assim, obteremos o sucesso desejado no tratamento estabelecido.
NeF: Quais estratégias de prevenção da Osteoporose no idoso?
K.A.M: Dentre as estratégias de prevenção da osteoporose e outras enfermidades nos
idosos, pode-se destacar:
- A elaboração de um programa que esteja atento aos hábitos alimentares
sedimentados;
- Contemplação de uma variedade qualitativa e quantitativamente suficientes de
alimentos, em especial os alimentos fontes de cálcio (leite e derivados, como
queijo, coalhada, iogurte, vegetais folhosos verde-escuro, entre outros) e ficar
atento aos fatores que reduzem a absorção de cálcio no planejamento dietético,
tais como: alimentos fontes de oxalatos na mesma refeição (frutas e vegetais), de
fitatos (cereais), ingestão concomitante com alimentos fontes de ferro, que
competem pelo mesmo sítio de absorção, ingestão deficiente de vitamina D, uso
de medicamentos como tetraciclina e sulfato ferroso e diuréticos tiazídicos. E
quando não for possível atingir a recomendação pela dieta, é necessário fazer a
suplementação do cálcio (500-600mg, de 1 a 2x/dia), dependendo de sua
ingestão diária;
- Associação de uma atividade física moderada balanceada com a ingestão energética.
- Busquar a contribuição do controle/prevenção de doenças intercorrentes
Karine Anusca Martins (K.A.M): Os idosos pertencem a um grupo diversificado, com capacidades e níveis de funcionamento amplamente variados. Em função do processo de envelhecimento há um
declínio do funcionamento normal de seus órgãos, especialmente naqueles mais de
idade.
Geralmente, nos idosos as principais carências nutricionais são de
micronutrientes como os minerais: cálcio, ferro, zinco, ácido fólico e cobre, e vitaminas do complexo B, principalmente, a vitamina B12, ainda entre as hidrossolúveis, a vitamina C, e outras lipossolúveis, como a vitamina A, por exemplo, em função da redução da superfície de absorção conseqüente às mudanças fisiológicas esperadas com
o processo de envelhecimento normal (senescência).
É importante ressaltar também que
há uma redução da síntese protéica, comprometendo também o seu estado nutricional,
sendo assim, existem carências não somente de micronutrientes, mas também de
macronutrientes.
NeF: Quais a necessidades energéticas do idoso?
K.A.M: As necessidades energéticas do idoso geralmente diminuem com a idade em
função das alterações na composição corporal, da diminuição da taxa metabólica basal e
da redução na atividade física. O conhecimento destas necessidades dos idosos é
essencial para a promoção da saúde.
Os valores sugeridos para os macronutrientes (proteínas, glicídios, lipídios e
fibras) têm como base os níveis recomendados por gramas e/ou por percentuais em
relação ao valor energético total. O percentual de distribuição de macronutrientes são
determinados como base no intervalo de distribuição aceitável dos macronutrientes
(Acceptable macronutrient distribuition range – AMDR), preconizado pelo Institute of
Medicine (2002).
Sendo assim, as diretrizes atuais recomendam que 45-65% das calorias diárias
totais sejam consumidas na forma de glicídios (carboidratos) e que as fibras totais
devem somar em torno de 25-30g/dia, sendo 10-13g/1000Kcal.
Em relação aos lipídios (gorduras) preconiza-se um percentual de ingestão
referente ao valor energético total da dieta entre 15-30%, com menos de 10% de ácidos
graxos saturados, entre 6-10% de ácidos graxos poliinsaturados, devendo ser de 5-8%
de ácidos graxos ômega-6, entre 1-2% de ácidos graxos ômega-3 e o percentual de
monoinsaturados por diferença. Admite-se o uso de 35% do valor energético total da
dieta na forma de lipídios para idosos saudáveis e fisicamente ativos.
No que se refere às proteínas, a AMDR foi estabelecida para complementar os
100% relativos aos valores de glicídios e lipídios, situando-se entre os valores de 10 a
35% do valor energético total. É importante observar que os valores máximos de
proteínas são elevados quando comparados ao intervalo de referência preconizado
anteriormente (10 a 15%), entretanto, se considerarmos o uso adequado de valores de
carboidratos e lipídios nas dietas, conforme o preconizado, possivelmente os valores de
proteína da dieta também estarão de acordo com o recomendado. Além disso,
aconselha-se para o idoso saudável uma ingestão protéica de 0,9-1,1g/Kg/dia.
Para os micronutrientes, as recomendações modificam-se de acordo com a idade
devido às mudanças fisiológicas que são esperadas com o envelhecimento. Ainda falta
muita informação sobre as recomendações adequadas de vitaminas e minerais para os
idosos. Portanto, devemos avaliar o seu consumo alimentar e prescrever uma dieta
equilibrada sem esquecer de considerar cada micronutriente em sua peculiaridade.
NeF: Quais são as principais causas da desnutrição no idoso?
K.A.M: O envelhecimento é assinalado por uma perda progressiva de massa corpórea,
bem como pela mudança na maioria dos sistemas do organismo: sensorial,
gastrointestinal, metabólico, cardiovascular, renal, neurológico, psicossocial, musculoesquelético.
Todas essas modificações influenciam direta ou indiretamente no estado
nutricional do idoso, em especial, as modificações do trato gastrointestinal (TGI). Entre
os fatores que comprometem o estado nutricional dos idosos podemos citar:
- Redução da acuidade dos órgãos dos sentidos: alterações de visão, paladar,
olfato, audição e tato, que levam à perda do apetite, reduzindo a ingestão
energética necessária para manutenção de suas necessidades nutricionais.
- Alterações na cavidade bucal: ausência de dentes, próteses mal encaixadas,
doenças periodontais e redução da secreção salivar: diminuição do consumo de
alimentos mais duros tipo carnes, frutas e verduras cruas.
- Alterações gástricas e intestinais pela redução de movimentos peristálticos e da
secreção de ácido clorídrico (HCl), enzimas digestivas, fator intrínseco, sais
biliares: interferência na digestão, absorção e favorecimento da obstipação
intestinal
- Alterações metabólicas no pâncreas, fígado e rins, com dificuldades no processo
digestivo
- O uso prolongado de medicamentos, entre outros fatores.
NeF: Como tratar a anorexia no idoso?
K.A.M: A anorexia (definição: recusa em se alimentar) do idoso é produzida por
múltiplos fatores em resposta a uma redução na taxa metabólica e da atividade física,
que se manifesta com o envelhecimento. Os mecanismos responsáveis pelo seu
desenvolvimento ainda não estão completamente estabelecidos, entretanto, acabam
provocando um quadro de desnutrição grave, conhecido como caquexia, cujo
tratamento é difícil e o sucesso pequeno. Toda atenção e cuidado devem ser dispensados
aos idosos que estão com anorexia, para tentarmos adequar a sua ingestão energética às
suas necessidades.
Inicialmente, é importante conhecer a história clínica, realizar o exame físico,
incluindo a avaliação nutricional cuidadosa e verificar os dados laboratoriais
disponíveis/apropriados. A terapêutica nutricional adequada, nesses casos
principalmente, desempenha papel importante na promoção da saúde, prevenção da
doença e no cuidado geral. Além de um suporte nutricional, agressivo, tanto via enteral
como parenteral, várias drogas (hormônio do crescimento, megestrol,
“ciprohepatadine”, tetraidrocanabinol, esteróides anabolizantes e antidepressivos) têm
sido utilizadas na tentativa de tratar a anorexia do idoso. Em particular, nos casos de
demência, não existe ainda um consenso de qual seria o melhor suporte nutricional. Ao
que se sugere, a nutrição enteral, por meio de sonda naso-entérica, não resulta em
benefício ou melhora de qualidade de vida para tais paciente. Cada caso deve ser
avaliado individualmente, e buscar o atendimento de suas necessidades nutricionais
dependerá do empenho, dedicação e atenção fornecidos por você, enquanto
nutricionista, pelos demais profissionais da equipe multiprofissional, de forma conjunta
e dialogada, e com certeza, em parceria com membros da família do idoso; somente
assim, obteremos o sucesso desejado no tratamento estabelecido.
NeF: Quais estratégias de prevenção da Osteoporose no idoso?
K.A.M: Dentre as estratégias de prevenção da osteoporose e outras enfermidades nos
idosos, pode-se destacar:
- A elaboração de um programa que esteja atento aos hábitos alimentares
sedimentados;
- Contemplação de uma variedade qualitativa e quantitativamente suficientes de
alimentos, em especial os alimentos fontes de cálcio (leite e derivados, como
queijo, coalhada, iogurte, vegetais folhosos verde-escuro, entre outros) e ficar
atento aos fatores que reduzem a absorção de cálcio no planejamento dietético,
tais como: alimentos fontes de oxalatos na mesma refeição (frutas e vegetais), de
fitatos (cereais), ingestão concomitante com alimentos fontes de ferro, que
competem pelo mesmo sítio de absorção, ingestão deficiente de vitamina D, uso
de medicamentos como tetraciclina e sulfato ferroso e diuréticos tiazídicos. E
quando não for possível atingir a recomendação pela dieta, é necessário fazer a
suplementação do cálcio (500-600mg, de 1 a 2x/dia), dependendo de sua
ingestão diária;
- Associação de uma atividade física moderada balanceada com a ingestão energética.
- Busquar a contribuição do controle/prevenção de doenças intercorrentes
Cuidados nutricionais no idoso
O estado nutricional no idoso reflecte-se directamente na sua saúde e na qualidade de vida.
Apesar de raramente serem observados sinais óbvios de deficiências nutricionais no idoso, a baixa ingestão de alimentos, tão comum nesta faixa etária, pode levar à perda de peso não intencional e deficiências em micro nutrientes (vitaminas e minerais) com consequente impacto na saúde geral. Quando a ingestão de alimentos não é adequada para responder às necessidades nutricionais específicas do idoso, pode desenvolver-se um estado de mal nutrição, com aumento da morbilidade (fadiga, fraqueza muscular, anemia, imunidade diminuída, perda da integridade cutânea e diminuição da função pulmonar e cardíaca) e, em alguns extremos, da mortalidade.
Actualmente, sabe-se que o estado nutricional do idoso está fortemente correlacionado com a sua fragilidade, uma vez que o défice em micro nutrientes, como antioxidantes e vitamina D, contribui fortemente para o agravamento da debilidade do idoso na medida em que promove a perda de peso e de massa muscular não intencional.
Os resultados do estudo NutriaAction 2009, realizado pela Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica, alertam para a dimensão deste problema que se traduz em 25%, os idosos em Portugal com baixo peso, sendo que, destes, foram os idosos com menor peso os que apresentaram uma perda de peso mais acentuada nos últimos 3 a 6 meses.
O envelhecimento da população portuguesa tem vindo a acentuar-se nos últimos anos, sendo previsível que a população idosa, entre 2010 e 2015, ultrapasse em número a população jovem.
A População idosa representa uma parte significativa da população de utentes da farmácia que, pela relação de proximidade estabelecida com estes utentes é um local privilegiado para vigiar o estado nutricional do idoso, podendo fazê-lo abordando vários aspectos como: avaliação de risco de desnutrição, identificação de idosos que possam beneficiar de suporte nutricional e monitorização da eficácia do tratamento. Aos indivíduos idosos suspeitos de mal nutrição deve ser aconselhada a consulta médica ou de nutrição tendo em vista o diagnóstico o mais precoce possível.
Os suplementos nutricionais orais (SNO), actualmente disponíveis em grande diversidade, representam um importante recurso para a promoção do estado nutricional do idoso. São produtos que dão resposta às necessidades gerais e específicas da nutrição do idoso e destinam-se a ser utilizados sob supervisão médica. Estes produtos, cada vez mais presentes na farmácia, representam uma oportunidade para a intervenção diferenciada junto de idosos e cuidadores, mediante o aconselhamento para a sua melhor utilização e a monitorização da melhoria do estado nutricional do idoso.
A perda de peso e massa muscular no idoso tem como consequência a diminuição da força e da actividade física, logo diminuição do apetite e da ingestão de alimentos, agravando-se, mais ainda, o estado nutricional.
Circunstâncias que podem diminuir a ingestão de alimentos no idoso:
A ingestão de nutrientes depende do consumo alimentar que, no idoso, é influenciado por factores sociais, económicos, psicológicos, e por doenças ou terapêuticas.
Sociais:
Falta de suporte social que auxilie nas compras e preparação de refeições.
Económicas:
Falta de recursos económicos.
Psicológicas/Cognitivas:
Depressão, demência.
Metabólicas/Fisiológicas:
- Metabolismo alterado – diminuição do metabolismo basal, diminuição da massa corporal e da actividade física, com consequente diminuição das necessidades energéticas.
- Alterações neuro-hormonais – diminuição do apetite e saciedade precoce
- Alterações gastrointestinais – diminuição da superfície útil para absorção, de capacidade de transporte de nutrientes e motilidade intestinal, com consequente aumento do risco de obstipação.
- Intolerância à lactose – tendência para se desenvolver durante o envelhecimento por diminuição da actividade da enzima responsável pelo desdobramento da lactose.
Medicamentos:
Alguns medicamentos podem causar reacções adversas como: náuseas ou vómitos (ex: quimioterapia e anti-virais); diminuição do apetite (anorexia) (ex: alguns anti-epilépticos e metamorfina); secura da boca por diminuição da secreção salivar (xerostomia) (ex: anti-depressivos e anti-histamínicos); alteração do cheiro (disosmia) ou sabor (disguesia) (ex. calcitonina e amitriptilina, respectivamente); alteração do balanço electrolítico e de fluidos (ex: diuréticos e corticosteróides) ou alteração do estado mental (ex: acetazolamida).
Condições Clínicas:
Patologias associadas à diminuição do apetite (anorexia), ou testados hiper-catabólicos. Ex: cancro, depressão, doença gastrointestinal, hipertirodismo, infecção crónica, alcoolismo e patologias respiratórias.
Funcionais:
Dificuldade na ingestão de alimentos devido a alterações buço-dentárias, diminuição do apetite, paladar (atrofia das papilas gustativas) ou cheiro.
Estabelece-se assim um ciclo vivoso, que pode ser revertido com uma alimentaçãoo adequada ao idoso e prática de exercício físico ajustado.
Necessidades nutricionais especificas no idoso
O idoso tem, face ao adulto saudável, necessidades nutricionais específicas que devem ser tidas em conta de modo a obter o melhor equilíbrio nutricional. Deve ter-se em atenção alterações na necessidade de macronutrientes, menor necessidade de energia, mas necessidades idênticas de proteínas, vitaminas e minerais, e maior necessidade de fibra.
Embora com a idade e doença, a disponibilidade de alguns nutrientes seja alterada, a maioria dos micronutrientes não é afectada no que diz respeito à sua absorção e metabolismo. Assim sendo, as deficiências em micronutrientes que os idosos podem desenvolver são geralmente devidas à menor ingestão de alimentos e à baixa qualidade das escolhas alimentares.
Energia
No idoso as necessidades calóricas estão diminuídas. Em comparação com o adulto saudável que necessita de cerca de 2550 Kcal/dia, o idoso necessita de cerca de 1870-1980 Kcal/dia, no caso das mulheres, e 2200-2060 Kcal/dia nos homens. A restrição controlada de calorias pelo idoso é importante, pois está demonstrado, como tendo um efeito benéfico na protecção contra as doenças associadas ao envelhecimento como a diabetes e osteoporose.
Nos idosos com peso abaixo do recomendado, pode ser indicado aumentar o aporte de calorias.
Proteínas
As necessidades proteicas no idoso saudável são idênticas às de um adulto, devendo a ingestão diária ser 46g para as mulheres e 56g para os homens. No entanto, em situações de doença o catabolismo proteico é aumentado, sendo necessário aumentar a ingestão de proteínas para, pelo menos, 70 g por dia.
Hidratos de Carbono
As necessidades em Hidratos de Carbono no idoso são semelhantes às dos adultos, correspondendo a 40 – 60% do total de alimentos ingeridos ou cerca de 130g por dia.
Devem ser privilegiados os hidratos de carbono complexos, como o amido e a celulose presentes nas leguminosas e nos vegetais, cuja absorção é mais lenta.
Lípidos
A maioria dos idosos beneficia com a diminuição da ingestão de gorduras, que devem na sua alimentação representar cerca de 20-35% do valor energético total. No entanto, não devem ser desvalorizadas pois são importantes para melhorarem a palatilidade dos alimentos, e como fonte de energia. É de realçar a importância para o idoso de alimentos ricos em ácidos gordos essenciais ómega3 e ómega6 (presentes nos peixes gordos e nos óleos vegetais) reconhecidos pelas suas propriedades antiplaquetárias e de diminuição de colestrol e triglicéridos, por isso úteis, especialmente naqueles com elevado risco cardiovascular.
Fibras
O idoso deve ingerir por dia 20 a 35 g de fibras, pois estas auxiliam na prevenção de problemas de estômago ou intestinos, como obstipção, e ainda na melhoria do perfil lipídico bem como dos níveis de açúcar.
Vitaminas e Minerais
Em termos gerais as necessidades em vitaminas e minerais do idoso diferem pouco das recomendações para os adultos saudáveis, no entanto, é necessário ter em conta certas especificidades, nomeadamente no que diz respeito ao cálcio (1,2 mg/dia) à vitamina D (10-15 µg/dia), às vitaminas do complexo B com particular destaque para a vitamina B12 e também à vitamina E (15 mg/dia)³.
Vitamina D
No processo de envelhecimento há diminuição da síntese da vitamina D ao nível da pele, nos indivíduos sem exposição significativa à luz solar. Simultaneamente, há uma diminuição da absorção renal da 1,25-dihidroxivitamina D na sua forma activa.
Cálcio
Devido às baixas concentrações de vitamina D no organismo, ocorre uma diminuição da absorção de cálcio, o que pode causar hiperparatiroidismo secundário, osteomalácia, agravamento da osteoporose e aumento do risco de fracturas.
Vitaminas do complexo B
Este grupo de vitaminas é no geral sujeito a défices devido à desnutrição, problemas gástricos e hepáticos. Particularmente importante é o caso da deficiência em vitamina B12, devido ao risco de desenvolvimento da anemia, por diminuição da absorção nos indivíduos com gastrite atrófica, H.pylory, resecção gástrica ou sob medicação que reduza a secreção gástrica (antagonistas H2 e inibidores da bomba de protões).
Vitamina E
A deficiência em vitamina E, que pode resultar de desnutrição, doenças hepáticas e gastriestinais, pode ter consequências neurológicas e visuais graves para o idoso.
A suplementação com vitaminas pode ser benéfica para o equilíbrio nutricional do idoso. A evidência clínica comprova que a suplementação com cálcio, vitamina D e B 12, reduz o risco de fractura.
Quando ou em que situações iniciar a suplementação nutricional oral
A avaliação do estudo nutricional do idoso é uma oportunidade para o farmacêutico intervir na promoção da saúde e bem-estar da população idosa.
É importante que a equipa da farmácia esteja alerta para os sinais de desnutrição, como a perda de peso involuntária, cansaço, prostração, alteração cutâneas especialmente a nível da boca, etc.
Complementarmente, é possível recorrer a métodos de rastreio que podem ser ralizados por processos simples e rápidos, com aplicação a todos os utentes e que permitem identificar os utentes em risco nutricional.
Existem vários métodos de rastreio do estado nutricional publicados, de entre os quais se destaca o MUST (Malnutrition Universal Screening Tool), ferramenta universal para o rastreio da malnutrição desenvolvido pela BAPEN (Associação Britânica de Nutrição Enteral e Parenteral), método simples, rápido e fácil de aplicar, validado internacionalmente e com boa reprodutibilidade mesmo de profissinal para profissional.
Pode ser fácil e rápido de aplicar, pode ser usado, na prática por um grande espectro de profissionais de saúde.
Este método considera alterações de peso, relação entre o peso e a estatura actual e a presença de uma doença grave. No final, classifica o indivíduo consoante o seu risco de desnutrição e define a estratégia de cuidados a adoptar.
Outro método simples e rápido, é o MNA (Mini Nutritional Assessment). Dsenvolvido pela Nestlé em associação com geriatras, é actualmente o método recomendado pela ESPEN (European Society for Clinical Nutrition and Metabolism) para a avaliação de idosos com risco de desnutrição.
O MNA foi especificamente validado para ser utilizado na população idosa e tem em consideração aspectos determinantes nesta população, com destaque para a autonomia do indivíduo. Tem sido validado em estudos internacionais e está disponível em várias línguas, incluindo o Português.
A aplicação de questionários de avaliação do estado nutricional permite, não só despistar e intervir precocemente em situações de risco de desnutrição, mas também monitizar os resultados após uma intervenção nutricional com ou sem introdução de SNO.
Os SNO, são na sua maioria, formulados com macronutrientes (lípidos, proteínas e hidratos de carbono) no entanto, são incompletos do ponto de vista nutricional o que faz com que se destinem a complementar a alimentação e não a substitui-la por completo. No que diz respeito à sua composição a maioria não contém fibras, lactose ao glúten, pelo menos em quantidades significativas, alguns contêm vitaminas, minerais e oligoelementos que fornecem cerca de 25% das necessidades recomendadas. Um do requisitos para a prescrição de SNO é a de o doente ter uma função gastrointestinal conservada ou quase.
Os SNO dividem-se em completos e modulares, estes últimos distinguem-se por serem concentrados de macronutrientes utilizados para fortificar dietas de alimentos correntes com um macronutriente específico, por exemplo proteínas ou glucidos.
Aconselhamento aos utentes
Recomendações com vista a melhorar o estado nutricional:
Aumentar a ingestão de alimentos com elevado teor em energia/proteínas, como pudins e batidos;
Suplementar as refeições habituais com snack's adicionais e leite;
Realizar exercício físico adequado;
Se a alimentação habitual do doente não melhorar, podem ser necessários suplementos nutricionais orais;
Para melhores resultados na utilização dos SNO, deve servi-los frios num copo para obter um melhor paladar e utilizá-los no intervalo entre as refeições e não como substituto ou em simultâneo com as refeições;
Reforçar a importância da ingestão de água, com o envelhecimento o idoso pode perde alguma da sua sensibilidade para a sede. Incentivar a beber mesmo quando não sente sede, ingerir cerca de 6 a 8 copos de água por dia. Regular a necessidade de água, tendo em conta a cor da urina.
Utente com falta de apetite:
Aconselhar que à refeição esteja sempre que possível acompanhado;
Verificar se algum dos medicamentos que toma diminui o apetite ou sabor dos alimentos;
Preferir ingerir pequenas quantidades de alimentos às refeições mas aumentar o número de refeições ao longo do dia;
Melhorar o sabor dos alimentos adicionando condimentos novos.
Utente com dificuldade na deglutição:
Alimentos a evitar: carne, excepto se for bem cozinhada; fruta fresca; vegetais não cozinhados; pão húmido que se cole às mucosas; iogurtes de fruta com pedaços de fruta;
Servir a comida em pequenas quantidades, evitar o efeito intimidatório das grandes quantidades;
É importante ter líquidos perto durante a refeição.
Cuidados na preparação da alimentação e na assistência à alimentação a indivíduos incapazes do o fazerem:
Manter o idoso bem sentado, costas direitas;
Colocar o prato perto da mão, para que possa alcançá-lo facilmente;
Confirmar que consegue ser ouvido e sentar-se a um nível a que o idoso o consiga ver;
Antes de o começar a alimentar, deixar que o idoso só cheire, veja e prove a comida para encorajar a salivação e aumentar o seu apetite;
Evitar o contacto da colher com os dentes, e colocar pequenas quantidades de cada vez;
Colocar comida no meio da boca, no início da língua e puxar a língua para baixo (este movimento impede que a língua caia para trás e não permita a salivação);
Dar bastante tempo para a mastigação e degluti nação, assegurar-se que a boca está vazia antes da porção seguinte;
Deve manter o idoso numa posição vertical pelo menos 20 minutos após o final da refeição.
Conclusão
Tendo o conhecimento sobre as necessidades nutricionais do idoso e sobre os produtos se SNO existentes, a equipa da farmácia, pode através da avaliação do estado nutricional do idoso, identificar um desequilíbrio alimentar ou um risco e desnutrição, podendo recomendar os suplementos nutricionais adequados, que serão da maior utilidade na prevenção e no tratamento de situações precoces de malnutrição.
A detecção de estados de desnutrição permite o encaminhamento para um medico ou nutricionista, para avaliar mais profunda e devida instituição de terapêutica nutricional.
A temática da terapêutica nutricional no idoso requer empenho e alguma dedicação por parte do pessoal da farmácia, no entanto, trata-se de uma mais-valia para a farmácia poder prestar serviços de acompanhamento doe utentes idosos que contribui de forma determinante para a sua saúde.
O estado nutricional no idoso reflecte-se directamente na sua saúde e na qualidade de vida.
Apesar de raramente serem observados sinais óbvios de deficiências nutricionais no idoso, a baixa ingestão de alimentos, tão comum nesta faixa etária, pode levar à perda de peso não intencional e deficiências em micro nutrientes (vitaminas e minerais) com consequente impacto na saúde geral. Quando a ingestão de alimentos não é adequada para responder às necessidades nutricionais específicas do idoso, pode desenvolver-se um estado de mal nutrição, com aumento da morbilidade (fadiga, fraqueza muscular, anemia, imunidade diminuída, perda da integridade cutânea e diminuição da função pulmonar e cardíaca) e, em alguns extremos, da mortalidade.
Actualmente, sabe-se que o estado nutricional do idoso está fortemente correlacionado com a sua fragilidade, uma vez que o défice em micro nutrientes, como antioxidantes e vitamina D, contribui fortemente para o agravamento da debilidade do idoso na medida em que promove a perda de peso e de massa muscular não intencional.
Os resultados do estudo NutriaAction 2009, realizado pela Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica, alertam para a dimensão deste problema que se traduz em 25%, os idosos em Portugal com baixo peso, sendo que, destes, foram os idosos com menor peso os que apresentaram uma perda de peso mais acentuada nos últimos 3 a 6 meses.
O envelhecimento da população portuguesa tem vindo a acentuar-se nos últimos anos, sendo previsível que a população idosa, entre 2010 e 2015, ultrapasse em número a população jovem.
A População idosa representa uma parte significativa da população de utentes da farmácia que, pela relação de proximidade estabelecida com estes utentes é um local privilegiado para vigiar o estado nutricional do idoso, podendo fazê-lo abordando vários aspectos como: avaliação de risco de desnutrição, identificação de idosos que possam beneficiar de suporte nutricional e monitorização da eficácia do tratamento. Aos indivíduos idosos suspeitos de mal nutrição deve ser aconselhada a consulta médica ou de nutrição tendo em vista o diagnóstico o mais precoce possível.
Os suplementos nutricionais orais (SNO), actualmente disponíveis em grande diversidade, representam um importante recurso para a promoção do estado nutricional do idoso. São produtos que dão resposta às necessidades gerais e específicas da nutrição do idoso e destinam-se a ser utilizados sob supervisão médica. Estes produtos, cada vez mais presentes na farmácia, representam uma oportunidade para a intervenção diferenciada junto de idosos e cuidadores, mediante o aconselhamento para a sua melhor utilização e a monitorização da melhoria do estado nutricional do idoso.
A perda de peso e massa muscular no idoso tem como consequência a diminuição da força e da actividade física, logo diminuição do apetite e da ingestão de alimentos, agravando-se, mais ainda, o estado nutricional.
Circunstâncias que podem diminuir a ingestão de alimentos no idoso:
A ingestão de nutrientes depende do consumo alimentar que, no idoso, é influenciado por factores sociais, económicos, psicológicos, e por doenças ou terapêuticas.
Sociais:
Falta de suporte social que auxilie nas compras e preparação de refeições.
Económicas:
Falta de recursos económicos.
Psicológicas/Cognitivas:
Depressão, demência.
Metabólicas/Fisiológicas:
- Metabolismo alterado – diminuição do metabolismo basal, diminuição da massa corporal e da actividade física, com consequente diminuição das necessidades energéticas.
- Alterações neuro-hormonais – diminuição do apetite e saciedade precoce
- Alterações gastrointestinais – diminuição da superfície útil para absorção, de capacidade de transporte de nutrientes e motilidade intestinal, com consequente aumento do risco de obstipação.
- Intolerância à lactose – tendência para se desenvolver durante o envelhecimento por diminuição da actividade da enzima responsável pelo desdobramento da lactose.
Medicamentos:
Alguns medicamentos podem causar reacções adversas como: náuseas ou vómitos (ex: quimioterapia e anti-virais); diminuição do apetite (anorexia) (ex: alguns anti-epilépticos e metamorfina); secura da boca por diminuição da secreção salivar (xerostomia) (ex: anti-depressivos e anti-histamínicos); alteração do cheiro (disosmia) ou sabor (disguesia) (ex. calcitonina e amitriptilina, respectivamente); alteração do balanço electrolítico e de fluidos (ex: diuréticos e corticosteróides) ou alteração do estado mental (ex: acetazolamida).
Condições Clínicas:
Patologias associadas à diminuição do apetite (anorexia), ou testados hiper-catabólicos. Ex: cancro, depressão, doença gastrointestinal, hipertirodismo, infecção crónica, alcoolismo e patologias respiratórias.
Funcionais:
Dificuldade na ingestão de alimentos devido a alterações buço-dentárias, diminuição do apetite, paladar (atrofia das papilas gustativas) ou cheiro.
Estabelece-se assim um ciclo vivoso, que pode ser revertido com uma alimentaçãoo adequada ao idoso e prática de exercício físico ajustado.
Necessidades nutricionais especificas no idoso
O idoso tem, face ao adulto saudável, necessidades nutricionais específicas que devem ser tidas em conta de modo a obter o melhor equilíbrio nutricional. Deve ter-se em atenção alterações na necessidade de macronutrientes, menor necessidade de energia, mas necessidades idênticas de proteínas, vitaminas e minerais, e maior necessidade de fibra.
Embora com a idade e doença, a disponibilidade de alguns nutrientes seja alterada, a maioria dos micronutrientes não é afectada no que diz respeito à sua absorção e metabolismo. Assim sendo, as deficiências em micronutrientes que os idosos podem desenvolver são geralmente devidas à menor ingestão de alimentos e à baixa qualidade das escolhas alimentares.
Energia
No idoso as necessidades calóricas estão diminuídas. Em comparação com o adulto saudável que necessita de cerca de 2550 Kcal/dia, o idoso necessita de cerca de 1870-1980 Kcal/dia, no caso das mulheres, e 2200-2060 Kcal/dia nos homens. A restrição controlada de calorias pelo idoso é importante, pois está demonstrado, como tendo um efeito benéfico na protecção contra as doenças associadas ao envelhecimento como a diabetes e osteoporose.
Nos idosos com peso abaixo do recomendado, pode ser indicado aumentar o aporte de calorias.
Proteínas
As necessidades proteicas no idoso saudável são idênticas às de um adulto, devendo a ingestão diária ser 46g para as mulheres e 56g para os homens. No entanto, em situações de doença o catabolismo proteico é aumentado, sendo necessário aumentar a ingestão de proteínas para, pelo menos, 70 g por dia.
Hidratos de Carbono
As necessidades em Hidratos de Carbono no idoso são semelhantes às dos adultos, correspondendo a 40 – 60% do total de alimentos ingeridos ou cerca de 130g por dia.
Devem ser privilegiados os hidratos de carbono complexos, como o amido e a celulose presentes nas leguminosas e nos vegetais, cuja absorção é mais lenta.
Lípidos
A maioria dos idosos beneficia com a diminuição da ingestão de gorduras, que devem na sua alimentação representar cerca de 20-35% do valor energético total. No entanto, não devem ser desvalorizadas pois são importantes para melhorarem a palatilidade dos alimentos, e como fonte de energia. É de realçar a importância para o idoso de alimentos ricos em ácidos gordos essenciais ómega3 e ómega6 (presentes nos peixes gordos e nos óleos vegetais) reconhecidos pelas suas propriedades antiplaquetárias e de diminuição de colestrol e triglicéridos, por isso úteis, especialmente naqueles com elevado risco cardiovascular.
Fibras
O idoso deve ingerir por dia 20 a 35 g de fibras, pois estas auxiliam na prevenção de problemas de estômago ou intestinos, como obstipção, e ainda na melhoria do perfil lipídico bem como dos níveis de açúcar.
Vitaminas e Minerais
Em termos gerais as necessidades em vitaminas e minerais do idoso diferem pouco das recomendações para os adultos saudáveis, no entanto, é necessário ter em conta certas especificidades, nomeadamente no que diz respeito ao cálcio (1,2 mg/dia) à vitamina D (10-15 µg/dia), às vitaminas do complexo B com particular destaque para a vitamina B12 e também à vitamina E (15 mg/dia)³.
Vitamina D
No processo de envelhecimento há diminuição da síntese da vitamina D ao nível da pele, nos indivíduos sem exposição significativa à luz solar. Simultaneamente, há uma diminuição da absorção renal da 1,25-dihidroxivitamina D na sua forma activa.
Cálcio
Devido às baixas concentrações de vitamina D no organismo, ocorre uma diminuição da absorção de cálcio, o que pode causar hiperparatiroidismo secundário, osteomalácia, agravamento da osteoporose e aumento do risco de fracturas.
Vitaminas do complexo B
Este grupo de vitaminas é no geral sujeito a défices devido à desnutrição, problemas gástricos e hepáticos. Particularmente importante é o caso da deficiência em vitamina B12, devido ao risco de desenvolvimento da anemia, por diminuição da absorção nos indivíduos com gastrite atrófica, H.pylory, resecção gástrica ou sob medicação que reduza a secreção gástrica (antagonistas H2 e inibidores da bomba de protões).
Vitamina E
A deficiência em vitamina E, que pode resultar de desnutrição, doenças hepáticas e gastriestinais, pode ter consequências neurológicas e visuais graves para o idoso.
A suplementação com vitaminas pode ser benéfica para o equilíbrio nutricional do idoso. A evidência clínica comprova que a suplementação com cálcio, vitamina D e B 12, reduz o risco de fractura.
Quando ou em que situações iniciar a suplementação nutricional oral
A avaliação do estudo nutricional do idoso é uma oportunidade para o farmacêutico intervir na promoção da saúde e bem-estar da população idosa.
É importante que a equipa da farmácia esteja alerta para os sinais de desnutrição, como a perda de peso involuntária, cansaço, prostração, alteração cutâneas especialmente a nível da boca, etc.
Complementarmente, é possível recorrer a métodos de rastreio que podem ser ralizados por processos simples e rápidos, com aplicação a todos os utentes e que permitem identificar os utentes em risco nutricional.
Existem vários métodos de rastreio do estado nutricional publicados, de entre os quais se destaca o MUST (Malnutrition Universal Screening Tool), ferramenta universal para o rastreio da malnutrição desenvolvido pela BAPEN (Associação Britânica de Nutrição Enteral e Parenteral), método simples, rápido e fácil de aplicar, validado internacionalmente e com boa reprodutibilidade mesmo de profissinal para profissional.
Pode ser fácil e rápido de aplicar, pode ser usado, na prática por um grande espectro de profissionais de saúde.
Este método considera alterações de peso, relação entre o peso e a estatura actual e a presença de uma doença grave. No final, classifica o indivíduo consoante o seu risco de desnutrição e define a estratégia de cuidados a adoptar.
Outro método simples e rápido, é o MNA (Mini Nutritional Assessment). Dsenvolvido pela Nestlé em associação com geriatras, é actualmente o método recomendado pela ESPEN (European Society for Clinical Nutrition and Metabolism) para a avaliação de idosos com risco de desnutrição.
O MNA foi especificamente validado para ser utilizado na população idosa e tem em consideração aspectos determinantes nesta população, com destaque para a autonomia do indivíduo. Tem sido validado em estudos internacionais e está disponível em várias línguas, incluindo o Português.
A aplicação de questionários de avaliação do estado nutricional permite, não só despistar e intervir precocemente em situações de risco de desnutrição, mas também monitizar os resultados após uma intervenção nutricional com ou sem introdução de SNO.
Os SNO, são na sua maioria, formulados com macronutrientes (lípidos, proteínas e hidratos de carbono) no entanto, são incompletos do ponto de vista nutricional o que faz com que se destinem a complementar a alimentação e não a substitui-la por completo. No que diz respeito à sua composição a maioria não contém fibras, lactose ao glúten, pelo menos em quantidades significativas, alguns contêm vitaminas, minerais e oligoelementos que fornecem cerca de 25% das necessidades recomendadas. Um do requisitos para a prescrição de SNO é a de o doente ter uma função gastrointestinal conservada ou quase.
Os SNO dividem-se em completos e modulares, estes últimos distinguem-se por serem concentrados de macronutrientes utilizados para fortificar dietas de alimentos correntes com um macronutriente específico, por exemplo proteínas ou glucidos.
Aconselhamento aos utentes
Recomendações com vista a melhorar o estado nutricional:
Aumentar a ingestão de alimentos com elevado teor em energia/proteínas, como pudins e batidos;
Suplementar as refeições habituais com snack's adicionais e leite;
Realizar exercício físico adequado;
Se a alimentação habitual do doente não melhorar, podem ser necessários suplementos nutricionais orais;
Para melhores resultados na utilização dos SNO, deve servi-los frios num copo para obter um melhor paladar e utilizá-los no intervalo entre as refeições e não como substituto ou em simultâneo com as refeições;
Reforçar a importância da ingestão de água, com o envelhecimento o idoso pode perde alguma da sua sensibilidade para a sede. Incentivar a beber mesmo quando não sente sede, ingerir cerca de 6 a 8 copos de água por dia. Regular a necessidade de água, tendo em conta a cor da urina.
Utente com falta de apetite:
Aconselhar que à refeição esteja sempre que possível acompanhado;
Verificar se algum dos medicamentos que toma diminui o apetite ou sabor dos alimentos;
Preferir ingerir pequenas quantidades de alimentos às refeições mas aumentar o número de refeições ao longo do dia;
Melhorar o sabor dos alimentos adicionando condimentos novos.
Utente com dificuldade na deglutição:
Alimentos a evitar: carne, excepto se for bem cozinhada; fruta fresca; vegetais não cozinhados; pão húmido que se cole às mucosas; iogurtes de fruta com pedaços de fruta;
Servir a comida em pequenas quantidades, evitar o efeito intimidatório das grandes quantidades;
É importante ter líquidos perto durante a refeição.
Cuidados na preparação da alimentação e na assistência à alimentação a indivíduos incapazes do o fazerem:
Manter o idoso bem sentado, costas direitas;
Colocar o prato perto da mão, para que possa alcançá-lo facilmente;
Confirmar que consegue ser ouvido e sentar-se a um nível a que o idoso o consiga ver;
Antes de o começar a alimentar, deixar que o idoso só cheire, veja e prove a comida para encorajar a salivação e aumentar o seu apetite;
Evitar o contacto da colher com os dentes, e colocar pequenas quantidades de cada vez;
Colocar comida no meio da boca, no início da língua e puxar a língua para baixo (este movimento impede que a língua caia para trás e não permita a salivação);
Dar bastante tempo para a mastigação e degluti nação, assegurar-se que a boca está vazia antes da porção seguinte;
Deve manter o idoso numa posição vertical pelo menos 20 minutos após o final da refeição.
Conclusão
Tendo o conhecimento sobre as necessidades nutricionais do idoso e sobre os produtos se SNO existentes, a equipa da farmácia, pode através da avaliação do estado nutricional do idoso, identificar um desequilíbrio alimentar ou um risco e desnutrição, podendo recomendar os suplementos nutricionais adequados, que serão da maior utilidade na prevenção e no tratamento de situações precoces de malnutrição.
A detecção de estados de desnutrição permite o encaminhamento para um medico ou nutricionista, para avaliar mais profunda e devida instituição de terapêutica nutricional.
A temática da terapêutica nutricional no idoso requer empenho e alguma dedicação por parte do pessoal da farmácia, no entanto, trata-se de uma mais-valia para a farmácia poder prestar serviços de acompanhamento doe utentes idosos que contribui de forma determinante para a sua saúde.
NUTRIÇÃO DO IDOSO
O planejamento das necessidades nutricionais do idoso é um desafio e uma
arte de despertar o apetite, e deve basear-se no peso, no tipo e intensidade
da atividade física e nas patologias associadas.
Em decorrência do envelhecimento os idosos apresentam uma perda de
interesse pela ingestão adequada de alimentos, especialmente líquidos
e fibras. A perda de parte ou de toda dentição dificulta o consumo de
alimentos mais fibrosos e calóricos.
A atrofia das papilas gustativas faz o idoso apreciar sabores mais intensos
(ácido e amargo), mas o sabor doce e o sabor salgado estão diminuídos.
Todos estes fatores, adicionados à redução do reflexo gastro-cólico e do
peristaltísmo ajudam a constipação intestinal e flatulência no idoso.
A Dietary Allowances Commission and Food and Nutrition Board,
Recomenda 1 a 1,5 ml de líquidos por Kcal de alimento, ou seja 8-10 copos
de líquidos ao dia. Deve-se incentivar o consumo de sucos naturais, água de
côco, gelatina, chá de ervas e água.
Em relação as fibras a recomendação é de 20-30 g/dia sendo 25% de fibras
solúveis (6g) como: frutas, aveia, legumes e cevada, e fibras insolúveis:
folhas, trigo, grãos e alguns legumes.
Calorias
As necessidades calóricas de um idoso maior de 70 anos estão em geral
diminuídas e associadas a atividade física menor. O metabolismo no idoso
de 50-70 anos é diminuído em cerca de 7,5% e caí em 10% após 70-80
anos. Recomenda-se para os idosos com idade acima de 65 anos; 35 a
40 Kcal/kg/dia e para as idosas, 33 a 40 Kcal/kg/dia Veja agora, algumas
orientações gerais sobre o emprego das proteínas, carbohidratos e lipídios.
Proteínas
Nos idosos a síntese de proteínas estão mais lentas e estão diminuídas sua
digestão e incorporação. Por tanto, devemos ofertar mais qualidade protéica
do que quantidades; o idoso não deve fazer dietas restritivas e vegetarianas
extremas. Os aminoácidos essencias têm suas necessidades aumentadas
em até 2 vezes as recomendações de um adulto, para manter o balanço
nitrogenado positivo (Ex. metionina e lisina).
Os idosos geralmente apresentam massa magra diminuída e perda de vigor
físico e mental. No sentido de elaborarmos uma dieta adequada devemos
preferir peixes (salmão, sardinha, cavalinha), peito de frango, lombo de
porco, carne vermelha magra (músculo, patinho, alcatra, filé mignon, coxão
mole), leite e seus derivados desnatados.
Evitar - carnes vermelhas gordas (cupim, costela, contrafilé), pernil
de porco, vísceras escuras (de frango e de peru), embutidos (salsicha,
calabresa), leite e seus derivados integrais.
Recomendação: é igual ao jovem adulto 0.8 g/Kg/dia. (DRI 2002) ou
10-35% do valor energético total da dieta(DRI2002). Alguns autores
recomendam para as pessoas com idade acima de 55 anos 1g/Kg/dia.
Carboidratos
A maior parte da oferta calórica diária deve vir dos carboidratos (50-60%).
Os idosos podem ter alterações da curva glicêmica similar ao diabético,
onde, é importante ofertar carboidratos integrais ricos em fibras e alimentos
com baixo e moderado índice glicêmico.
Devemos restringir a sacarose e farinhas altamente refinadas, que está
associada a causas de constipação intestinal, câncer de cólon e diabete
mellitus. Dar preferência aos carboidratos complexos como arroz, pães
e massas integrais, aveia, bolachas integrais, frutas e vegetais variados.
É comum em idosos apresentarem flatulência com alguns vegetais como
brócoli, pimentão, pepino, couve-flor; uma dieta rica em fibras ajuda na
integridade intestinal e diminuição da flatulência.
Evitar - açúcar refinado, farinha de trigo refinada, melaço de cana, açúcar
mascavo.
Recomendação: 45-65 % do valor energético total da dieta ou 130g de
carboidratos ao dia ou menos de 5% do valor calórico total das dieta em
açúcar (sacarose).
Lipídios
Os idosos tendem a apresentar elevação da pressão arterial, elevação do
colesterol total e LDL (colesterol ruim) e diminuição do HDL (colesterol
bom), principalmente com a redução da atividade física. Normalmente o
idoso apresenta uma deficiência de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K).
As recomendações de gorduras da dieta do idoso devem ser de 25 35% do
valor calórico total da dieta. Em alguns casos, recomenda-se um aumento
de 30-40% do valor calórico, o que torna a dieta mais palatável ao idoso
com caquexia ou anorexia.
Evitar - As gorduras trans (fast-food, bolachas recheadas, sorvetes e
comida industrializada congelada) devem ser evitadas. Diminuir as gorduras
saturadas e o colesterol da alimentação.
Recomendações - A distribuição das gorduras deve ser: Gorduras
monoinsaturadas maior que 15 - 20%; Gorduras poliinsaturadas maior que
10%; Gorduras saturadas menor que 7-10%; Colesterol menor que 200mg.
As recomendações de ômegas são respectivamente (5-10%) de ômega 3 e
para ômega 6 (0,6-1,2%).
Referências:
Marchini JS, Ferriolli E, Moriguti JC - Suporte nutricional ao paciente idoso:
Definição, Diagnóstico, Avaliação e Intervenção. Medicina, Ribeirão Preto,
31:54-61 Jan-Mar 1998. on line]
O planejamento das necessidades nutricionais do idoso é um desafio e uma
arte de despertar o apetite, e deve basear-se no peso, no tipo e intensidade
da atividade física e nas patologias associadas.
Em decorrência do envelhecimento os idosos apresentam uma perda de
interesse pela ingestão adequada de alimentos, especialmente líquidos
e fibras. A perda de parte ou de toda dentição dificulta o consumo de
alimentos mais fibrosos e calóricos.
A atrofia das papilas gustativas faz o idoso apreciar sabores mais intensos
(ácido e amargo), mas o sabor doce e o sabor salgado estão diminuídos.
Todos estes fatores, adicionados à redução do reflexo gastro-cólico e do
peristaltísmo ajudam a constipação intestinal e flatulência no idoso.
A Dietary Allowances Commission and Food and Nutrition Board,
Recomenda 1 a 1,5 ml de líquidos por Kcal de alimento, ou seja 8-10 copos
de líquidos ao dia. Deve-se incentivar o consumo de sucos naturais, água de
côco, gelatina, chá de ervas e água.
Em relação as fibras a recomendação é de 20-30 g/dia sendo 25% de fibras
solúveis (6g) como: frutas, aveia, legumes e cevada, e fibras insolúveis:
folhas, trigo, grãos e alguns legumes.
Calorias
As necessidades calóricas de um idoso maior de 70 anos estão em geral
diminuídas e associadas a atividade física menor. O metabolismo no idoso
de 50-70 anos é diminuído em cerca de 7,5% e caí em 10% após 70-80
anos. Recomenda-se para os idosos com idade acima de 65 anos; 35 a
40 Kcal/kg/dia e para as idosas, 33 a 40 Kcal/kg/dia Veja agora, algumas
orientações gerais sobre o emprego das proteínas, carbohidratos e lipídios.
Proteínas
Nos idosos a síntese de proteínas estão mais lentas e estão diminuídas sua
digestão e incorporação. Por tanto, devemos ofertar mais qualidade protéica
do que quantidades; o idoso não deve fazer dietas restritivas e vegetarianas
extremas. Os aminoácidos essencias têm suas necessidades aumentadas
em até 2 vezes as recomendações de um adulto, para manter o balanço
nitrogenado positivo (Ex. metionina e lisina).
Os idosos geralmente apresentam massa magra diminuída e perda de vigor
físico e mental. No sentido de elaborarmos uma dieta adequada devemos
preferir peixes (salmão, sardinha, cavalinha), peito de frango, lombo de
porco, carne vermelha magra (músculo, patinho, alcatra, filé mignon, coxão
mole), leite e seus derivados desnatados.
Evitar - carnes vermelhas gordas (cupim, costela, contrafilé), pernil
de porco, vísceras escuras (de frango e de peru), embutidos (salsicha,
calabresa), leite e seus derivados integrais.
Recomendação: é igual ao jovem adulto 0.8 g/Kg/dia. (DRI 2002) ou
10-35% do valor energético total da dieta(DRI2002). Alguns autores
recomendam para as pessoas com idade acima de 55 anos 1g/Kg/dia.
Carboidratos
A maior parte da oferta calórica diária deve vir dos carboidratos (50-60%).
Os idosos podem ter alterações da curva glicêmica similar ao diabético,
onde, é importante ofertar carboidratos integrais ricos em fibras e alimentos
com baixo e moderado índice glicêmico.
Devemos restringir a sacarose e farinhas altamente refinadas, que está
associada a causas de constipação intestinal, câncer de cólon e diabete
mellitus. Dar preferência aos carboidratos complexos como arroz, pães
e massas integrais, aveia, bolachas integrais, frutas e vegetais variados.
É comum em idosos apresentarem flatulência com alguns vegetais como
brócoli, pimentão, pepino, couve-flor; uma dieta rica em fibras ajuda na
integridade intestinal e diminuição da flatulência.
Evitar - açúcar refinado, farinha de trigo refinada, melaço de cana, açúcar
mascavo.
Recomendação: 45-65 % do valor energético total da dieta ou 130g de
carboidratos ao dia ou menos de 5% do valor calórico total das dieta em
açúcar (sacarose).
Lipídios
Os idosos tendem a apresentar elevação da pressão arterial, elevação do
colesterol total e LDL (colesterol ruim) e diminuição do HDL (colesterol
bom), principalmente com a redução da atividade física. Normalmente o
idoso apresenta uma deficiência de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K).
As recomendações de gorduras da dieta do idoso devem ser de 25 35% do
valor calórico total da dieta. Em alguns casos, recomenda-se um aumento
de 30-40% do valor calórico, o que torna a dieta mais palatável ao idoso
com caquexia ou anorexia.
Evitar - As gorduras trans (fast-food, bolachas recheadas, sorvetes e
comida industrializada congelada) devem ser evitadas. Diminuir as gorduras
saturadas e o colesterol da alimentação.
Recomendações - A distribuição das gorduras deve ser: Gorduras
monoinsaturadas maior que 15 - 20%; Gorduras poliinsaturadas maior que
10%; Gorduras saturadas menor que 7-10%; Colesterol menor que 200mg.
As recomendações de ômegas são respectivamente (5-10%) de ômega 3 e
para ômega 6 (0,6-1,2%).
Referências:
Marchini JS, Ferriolli E, Moriguti JC - Suporte nutricional ao paciente idoso:
Definição, Diagnóstico, Avaliação e Intervenção. Medicina, Ribeirão Preto,
31:54-61 Jan-Mar 1998. on line]
Necessidades nutricionais no idoso
O envelhecimento é um processo caracterizado por mudanças biológicas
normais que ocorrem com o passar da vida. A qualidade de vida na terceira
idade relaciona-se a diversos fatores do cotidiano, como a saúde física e
mental, satisfação com o trabalho, relações familiares, vida social, estado
nutricional adequado, atividades físicas, entre outros.
Um estilo de vida que combina uma alimentação equilibrada, atividade
física regular e controle do estresse, contribui para aumentar a expectativa de
vida do idoso e, principalmente, uma vida mais saudável.
Nos idosos as funções no organismo diminuem como um todo,
diferenciando-se na intensidade segundo o órgão ou sistema em questão.
Uma das maiores modificações no organismo é a mudança na
composição corporal, com o aumento do tecido adiposo e diminuição da massa
magra. A partir dos 60 anos, este quadro atinge todos os órgãos e com maior
intensidade na massa muscular, provocando alteração na força e mobilidade,
favorecendo a possibilidade de quedas. Esta alteração da composição corporal
reflete diretamente na diminuição do metabolismo basal.
O olfato, paladar e a visão diminuem, podendo reduzir o consumo
alimentar, assim como a capacidade de mastigação. O idoso passa a ter
escolhas alimentares alteradas que podem diminuir o valor nutritivo da
alimentação e com isso, aumentar o risco de desnutrição.
Um bom estado nutricional, com o fornecimento adequado de energia,
proteínas, vitaminas e minerais é de extrema importância para que o idoso
resista às doenças crônicas e debilitantes e possa manter a saúde e
independência.
Para a avaliação nutricional do idoso é fundamental ressaltar uma
história alimentar. Contudo, é necessário questionar o idoso, assim como os
familiares, sobre alterações de peso, restrições alimentares voluntárias ou
impostas,
crônicas e uso de medicamentos. Além disso, um registro da alimentação
habitual do paciente por três dias é interessante para avaliar o padrão rotineiro
de ingestão.
Nos exames físico e laboratorial devem ser identificadas as alterações
procurando não confundir os sinais de desnutrição com o processo de
envelhecimento.
alcoolismo,
depressão,
alterações
gastrointestinais,
Necessidades energéticas
Nos idosos, assim como em toda a população, a quantidade energética
ingerida na alimentação é fundamental para manter um estado nutricional
adequado. Uma alimentação diversificada, com alimentos de diferentes fontes,
oferece os nutrientes necessários para uma nutrição equilibrada, desde de que
ingeridos na quantidade recomendada para suprir os gastos energéticos.
O fracionamento das refeições, assim como a diminuição do seu volume
contribuem para o processo de digestão, absorção e aproveitamento dos
alimentos. Recomenda-se o consumo de quatro a seis refeições diárias. Além
disso, é importante a refeição apresentar aspectos agradáveis, como a cor,
sabor, aroma e textura.
A redução na massa magra corpórea e a atividade física estão
associadas com a necessidade total de energia. O metabolismo basal reduz
cerca de 10% até os 60 anos e aumenta com passar da idade, influenciando
diretamente com a diminuição do gasto energético.
O gasto energético diário é estimado mediante a soma do metabolismo
basal e as atividades físicas. Para determinar a taxa metabólica basal
recomenda-se a utilização da equação da Organização Mundial da Saúde,
OMS, 1996 que considera o peso corporal. A energia gasta com a atividade
física pode ser mensurada e avaliada em tabelas com o gasto energético por
tipo de atividade.
Carboidratos
O carboidrato é um nutriente essencial na nutrição humana. Algumas de
suas funções são: fornecer energia para o organismo, preservar a proteína,
servir como único substrato energético para o sistema nervoso central e ativar
o metabolismo.
A dieta do idoso deve obter entre 50% a 60% do valor calórico total de
carboidratos. É necessário ressaltar a prioridade de carboidratos complexos,
como o arroz, macarrão, pães, batata e cereais, para minimizar os picos de
hiperglicemia. Os carboidratos simples, como a glicose e sacarose deverão ser
no máximo 10% do total de carboidratos.
Proteínas
As proteínas são formadas por diferentes combinações dos 20
aminoácidos e exercem funções estruturais, reguladoras, de defesa e de
transporte nos fluidos biológicos. A melhor fonte protéica são as de origem
animal, entretanto, a mistura de cereais e leguminosas fornece a quantidade
necessária de aminoácidos para a síntese protéica.
Os idosos apresentam diminuição na síntese e degradação protéica,
além de uma menor massa magra, assim, o fornecimento protéico é
fundamental. A recomendação estabelecida pela Recomendações das
Necessidades Diárias (RDA) é de 0,8g/kg/dia. É importante ressaltar o cuidado
para não haver uma ingestão acima do recomendado, podendo sobrecarregar
o sistema renal, além de interferir na absorção de cálcio, prejudicando a massa
óssea.
Lipídeos
Os lipídeos desempenham funções energéticas, estruturais e hormonais
no organismo, além de auxiliar na absorção e transporte de vitaminas
lipossolúveis.
A ingestão de lipídeos recomendada é de 20% a 30% do valor calórico
total. No entanto, as gorduras saturadas não devem ser superior a 10%, pela
sua associação com doenças coronarianas. São encontradas em carnes, ovos,
leite e derivados.
O restante deverá ser de mono e poliinsaturados, encontrados em
gorduras vegetais. A ingestão de ácidos graxos essenciais, que incluem o
ômega 6 (ácido linoléico) deve ser de 11g/dia, sendo encontrado em nozes,
castanhas, sementes e óleo de soja, girassol e milho; e o ômega 3 (ácido
linolênico) com ingestão de 1,1g/dia, encontrado em óleos de canola, linhaça,
salmão, arenque, sardinha e algas. O consumo de colesterol não deve ser
superior a 300mg/dia.
Vitaminas e Minerais
O uso de suplementos vitamínicos e de minerais pelos idosos pode ser
uma alternativa a ser considerada quando há consumo de dietas inadequadas
ou alguma enfermidade específica. Porém, seu uso não pode ser extrapolado,
visto que uma dieta equilibrada pode suprir as necessidades do indivíduo.
O cálcio é um dos principais micronutrientes relacionados com o
envelhecimento, além de ser o mais abundante no corpo humano. O
metabolismo do cálcio está diretamente relacionado com a perda da massa
óssea ou osteopenia, podendo atingir a osteoporose. Além disso, a absorção
de cálcio está diminuída no idoso, sendo mais um fator de contribuição da
doença. A suplementação pode ser necessária para grupos de risco, como
mulheres na pós-menopausa com histórico familiar da doença, raça branca,
baixo peso, sedentárias e com exposição solar inadequada.
Segundo as DRIs, a recomendação de cálcio para a população acima
dos 51 anos é de 1200mg/dia.
A vitamina D é um outro fator relacionado ao metabolismo ósseo, sendo
necessário um controle adequado na ingestão deste nutriente. O estilo de vida
do idoso, prática de atividade física, reposição hormonal e a genética devem
ser levados em consideração. Além disso, o consumo de cafeína, alimento
comum entre idosos, hábito de fumar e excesso de álcool podem comprometer
negativamente a massa óssea.
Contudo, o acompanhamento do paciente idoso é extremamente
necessário para que o mesmo tenha uma dieta equilibrada e mantenha a saúde.
Hidratação
A água deve merecer atenção especial, principalmente nesta faixa
etária, na qual a desidratação é o distúrbio hidroeletrolítico mais comum.
O sistema renal diminui sua capacidade com a idade, assim como os
idosos sentem menos sede que os mais jovens, gerando uma privação de
água. Esta pode ocorrer por um distúrbio cognitivo, pela diminuição da sede ou
por debilidade física. Contudo, a água deve ser controlada, assim como a dieta
e os medicamentos, principalmente, para idosos que requerem um maior
cuidado.
Como visto a população idosa apresenta particularidades que merecem
maior cuidado e atenção. A nutrição pode contribuir para a manutenção e
melhoria da saúde destes indivíduos, buscando a união de uma dieta
equilibrada e saudável com o prazer, alegria e conforto que o alimento propicia,
respeitando sempre as preferências e hábitos dos idosos.
Referências Bibliográficas
COZZOLINO, S.M.F. Biodisponibilidade de nutrientes. 1.ed. São Paulo:
Manole, 2005.
DUTRA-DE-OLIVEIRA, J.E.; MARCHINI, J.S. Ciências Nutricionais. 1.ed.
São Paulo: Sarvier, 1998.
FERREIRA, M.T., et al. Necessidades nutricionais no idoso ativo. Rev.
Nutrição Saúde e Performance, São Paulo, p.35-40, jan./fev./mar. 2004.
SOUZA, F.T.F.S., MOREIRA, E.A.M. Qualidade de vida na terceira idade:
saúde e nutrição. Rev. Cien. Saúde, Florianópolis, v.17, n.2, p.55-76, jul./dez.
1998.
Luiza Rossi Camargo - acadêmica do curso de Nutrição do Centro Universitário São
Camilo, estagiária em Marketing Nutricional da Nutrociência Assessoria em Nutrologia
O envelhecimento é um processo caracterizado por mudanças biológicas
normais que ocorrem com o passar da vida. A qualidade de vida na terceira
idade relaciona-se a diversos fatores do cotidiano, como a saúde física e
mental, satisfação com o trabalho, relações familiares, vida social, estado
nutricional adequado, atividades físicas, entre outros.
Um estilo de vida que combina uma alimentação equilibrada, atividade
física regular e controle do estresse, contribui para aumentar a expectativa de
vida do idoso e, principalmente, uma vida mais saudável.
Nos idosos as funções no organismo diminuem como um todo,
diferenciando-se na intensidade segundo o órgão ou sistema em questão.
Uma das maiores modificações no organismo é a mudança na
composição corporal, com o aumento do tecido adiposo e diminuição da massa
magra. A partir dos 60 anos, este quadro atinge todos os órgãos e com maior
intensidade na massa muscular, provocando alteração na força e mobilidade,
favorecendo a possibilidade de quedas. Esta alteração da composição corporal
reflete diretamente na diminuição do metabolismo basal.
O olfato, paladar e a visão diminuem, podendo reduzir o consumo
alimentar, assim como a capacidade de mastigação. O idoso passa a ter
escolhas alimentares alteradas que podem diminuir o valor nutritivo da
alimentação e com isso, aumentar o risco de desnutrição.
Um bom estado nutricional, com o fornecimento adequado de energia,
proteínas, vitaminas e minerais é de extrema importância para que o idoso
resista às doenças crônicas e debilitantes e possa manter a saúde e
independência.
Para a avaliação nutricional do idoso é fundamental ressaltar uma
história alimentar. Contudo, é necessário questionar o idoso, assim como os
familiares, sobre alterações de peso, restrições alimentares voluntárias ou
impostas,
crônicas e uso de medicamentos. Além disso, um registro da alimentação
habitual do paciente por três dias é interessante para avaliar o padrão rotineiro
de ingestão.
Nos exames físico e laboratorial devem ser identificadas as alterações
procurando não confundir os sinais de desnutrição com o processo de
envelhecimento.
alcoolismo,
depressão,
alterações
gastrointestinais,
Necessidades energéticas
Nos idosos, assim como em toda a população, a quantidade energética
ingerida na alimentação é fundamental para manter um estado nutricional
adequado. Uma alimentação diversificada, com alimentos de diferentes fontes,
oferece os nutrientes necessários para uma nutrição equilibrada, desde de que
ingeridos na quantidade recomendada para suprir os gastos energéticos.
O fracionamento das refeições, assim como a diminuição do seu volume
contribuem para o processo de digestão, absorção e aproveitamento dos
alimentos. Recomenda-se o consumo de quatro a seis refeições diárias. Além
disso, é importante a refeição apresentar aspectos agradáveis, como a cor,
sabor, aroma e textura.
A redução na massa magra corpórea e a atividade física estão
associadas com a necessidade total de energia. O metabolismo basal reduz
cerca de 10% até os 60 anos e aumenta com passar da idade, influenciando
diretamente com a diminuição do gasto energético.
O gasto energético diário é estimado mediante a soma do metabolismo
basal e as atividades físicas. Para determinar a taxa metabólica basal
recomenda-se a utilização da equação da Organização Mundial da Saúde,
OMS, 1996 que considera o peso corporal. A energia gasta com a atividade
física pode ser mensurada e avaliada em tabelas com o gasto energético por
tipo de atividade.
Carboidratos
O carboidrato é um nutriente essencial na nutrição humana. Algumas de
suas funções são: fornecer energia para o organismo, preservar a proteína,
servir como único substrato energético para o sistema nervoso central e ativar
o metabolismo.
A dieta do idoso deve obter entre 50% a 60% do valor calórico total de
carboidratos. É necessário ressaltar a prioridade de carboidratos complexos,
como o arroz, macarrão, pães, batata e cereais, para minimizar os picos de
hiperglicemia. Os carboidratos simples, como a glicose e sacarose deverão ser
no máximo 10% do total de carboidratos.
Proteínas
As proteínas são formadas por diferentes combinações dos 20
aminoácidos e exercem funções estruturais, reguladoras, de defesa e de
transporte nos fluidos biológicos. A melhor fonte protéica são as de origem
animal, entretanto, a mistura de cereais e leguminosas fornece a quantidade
necessária de aminoácidos para a síntese protéica.
Os idosos apresentam diminuição na síntese e degradação protéica,
além de uma menor massa magra, assim, o fornecimento protéico é
fundamental. A recomendação estabelecida pela Recomendações das
Necessidades Diárias (RDA) é de 0,8g/kg/dia. É importante ressaltar o cuidado
para não haver uma ingestão acima do recomendado, podendo sobrecarregar
o sistema renal, além de interferir na absorção de cálcio, prejudicando a massa
óssea.
Lipídeos
Os lipídeos desempenham funções energéticas, estruturais e hormonais
no organismo, além de auxiliar na absorção e transporte de vitaminas
lipossolúveis.
A ingestão de lipídeos recomendada é de 20% a 30% do valor calórico
total. No entanto, as gorduras saturadas não devem ser superior a 10%, pela
sua associação com doenças coronarianas. São encontradas em carnes, ovos,
leite e derivados.
O restante deverá ser de mono e poliinsaturados, encontrados em
gorduras vegetais. A ingestão de ácidos graxos essenciais, que incluem o
ômega 6 (ácido linoléico) deve ser de 11g/dia, sendo encontrado em nozes,
castanhas, sementes e óleo de soja, girassol e milho; e o ômega 3 (ácido
linolênico) com ingestão de 1,1g/dia, encontrado em óleos de canola, linhaça,
salmão, arenque, sardinha e algas. O consumo de colesterol não deve ser
superior a 300mg/dia.
Vitaminas e Minerais
O uso de suplementos vitamínicos e de minerais pelos idosos pode ser
uma alternativa a ser considerada quando há consumo de dietas inadequadas
ou alguma enfermidade específica. Porém, seu uso não pode ser extrapolado,
visto que uma dieta equilibrada pode suprir as necessidades do indivíduo.
O cálcio é um dos principais micronutrientes relacionados com o
envelhecimento, além de ser o mais abundante no corpo humano. O
metabolismo do cálcio está diretamente relacionado com a perda da massa
óssea ou osteopenia, podendo atingir a osteoporose. Além disso, a absorção
de cálcio está diminuída no idoso, sendo mais um fator de contribuição da
doença. A suplementação pode ser necessária para grupos de risco, como
mulheres na pós-menopausa com histórico familiar da doença, raça branca,
baixo peso, sedentárias e com exposição solar inadequada.
Segundo as DRIs, a recomendação de cálcio para a população acima
dos 51 anos é de 1200mg/dia.
A vitamina D é um outro fator relacionado ao metabolismo ósseo, sendo
necessário um controle adequado na ingestão deste nutriente. O estilo de vida
do idoso, prática de atividade física, reposição hormonal e a genética devem
ser levados em consideração. Além disso, o consumo de cafeína, alimento
comum entre idosos, hábito de fumar e excesso de álcool podem comprometer
negativamente a massa óssea.
Contudo, o acompanhamento do paciente idoso é extremamente
necessário para que o mesmo tenha uma dieta equilibrada e mantenha a saúde.
Hidratação
A água deve merecer atenção especial, principalmente nesta faixa
etária, na qual a desidratação é o distúrbio hidroeletrolítico mais comum.
O sistema renal diminui sua capacidade com a idade, assim como os
idosos sentem menos sede que os mais jovens, gerando uma privação de
água. Esta pode ocorrer por um distúrbio cognitivo, pela diminuição da sede ou
por debilidade física. Contudo, a água deve ser controlada, assim como a dieta
e os medicamentos, principalmente, para idosos que requerem um maior
cuidado.
Como visto a população idosa apresenta particularidades que merecem
maior cuidado e atenção. A nutrição pode contribuir para a manutenção e
melhoria da saúde destes indivíduos, buscando a união de uma dieta
equilibrada e saudável com o prazer, alegria e conforto que o alimento propicia,
respeitando sempre as preferências e hábitos dos idosos.
Referências Bibliográficas
COZZOLINO, S.M.F. Biodisponibilidade de nutrientes. 1.ed. São Paulo:
Manole, 2005.
DUTRA-DE-OLIVEIRA, J.E.; MARCHINI, J.S. Ciências Nutricionais. 1.ed.
São Paulo: Sarvier, 1998.
FERREIRA, M.T., et al. Necessidades nutricionais no idoso ativo. Rev.
Nutrição Saúde e Performance, São Paulo, p.35-40, jan./fev./mar. 2004.
SOUZA, F.T.F.S., MOREIRA, E.A.M. Qualidade de vida na terceira idade:
saúde e nutrição. Rev. Cien. Saúde, Florianópolis, v.17, n.2, p.55-76, jul./dez.
1998.
Luiza Rossi Camargo - acadêmica do curso de Nutrição do Centro Universitário São
Camilo, estagiária em Marketing Nutricional da Nutrociência Assessoria em Nutrologia
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